Lagarde alerta que caminho de recuperação é longo; variante de vírus pesa

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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde / Foto: BCE

São Paulo – A recuperação da economia da zona do euro está em andamento, mas a propagação da variante delta do novo coronavírus gera incertezas e ainda há um longo caminho até reverter os danos provocados pela pandemia, disse a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, em coletiva de imprensa.

“Cada vez mais pessoas estão a ser vacinadas e as restrições de bloqueio foram atenuadas na maioria dos países da zona do euro”, disse ela. “Mas a pandemia continua a lançar uma sombra, especialmente porque a variante delta constitui uma fonte crescente de incerteza”.

Segundo Lagarde, a reabertura de grande parte da economia está sustentando uma vigorosa recuperação do setor de serviços, mas a variante delta “pode prejudicar essa recuperação nos serviços, especialmente no turismo e na hotelaria”.

A presidente do BCE destacou que as projeções de junho do banco consideraram que as medidas contenção contra a propagação do vírus, incluindo lockdowns, poderiam continuar em vigor no terceiro e quarto trimestre de 2021.

“Estamos nas mãos dos que tomarão medidas necessárias para que contenções não produzam impactos negativos na economia”, disse Lagarde, citando a vacinação e o fato de que ao longo do curso de ondas de covid-19, cidades, governos e profissionais de saúde “estão mais acostumados com respostas para lidar com saúde e não prejudicar muito a economia”.

Ao ser questionada sobre como os membros do Conselho determinarão o fim da crise da pandemia, descrita como critério para encerrar o programa de compra de emergência pandêmica (PEPP, na sigla em inglês) , Lagarde disse que será do ponto de vista econômico. “Vamos olhar emprego, indústria, serviços, comércio, na tradução econômica sobre o que é a crise”, disse. “Esperamos que graças a vacinação de ações determinações crise termina mais cedo do que tarde”.

Ela destacou ainda que o BCE está observando, pela primeira vez, empresas voltando para investimentos, um sinal muito importante de que há confiança para o que está por vir. “A recuperação em curso da demanda doméstica e global está aumentando o otimismo entre as empresas”, disse ela. As condições de crédito para a maioria das empresas e famílias também permanecem em níveis favoráveis.

“Esperamos que a atividade econômica volte ao nível anterior à crise no primeiro trimestre do próximo ano. Mas ainda há um longo caminho a percorrer antes que os danos à economia causados pela pandemia sejam compensados”, disse ela, citando que o desemprego continua alto.

Por fim, Lagarde ressaltou a importância de uma política fiscal ambiciosa, direcionada e coordenada, e o papel crucial do programa Próxima Geração UE, que contribuirá para uma recuperação mais forte e uniforme na zona do euro.

INFLAÇÃO

A taxa de inflação da zona do euro deve aumentar ainda mais nos próximos meses, após alcançar 1,9% em junho, e declinar novamente no próximo ano, disse Lagarde.

“O atual aumento da inflação está sendo impulsionado em grande parte pelos preços mais altos da energia e pelos efeitos de base da queda acentuada nos preços do petróleo no início da pandemia, e o impacto da redução temporária do imposto sobre valor agregado (IVA) na Alemanha no ano passado”, disse ela.

“No início de 2022, o impacto desses fatores deve diminuir à medida que saem do cálculo da inflação anual”, acrescentou. Ela destacou que, no curto prazo, a significativa retração da economia está travando as pressões inflacionárias.

“Demanda mais forte e pressões temporárias de custo na cadeia de abastecimento colocarão alguma pressão de alta sobre os preços. Mas o fraco crescimento dos salários e a valorização anterior do euro significam que as pressões sobre os preços provavelmente permanecerão moderadas por algum tempo”.

Desta forma, o BCE permanece longe de alcançar sua meta simétrica de inflação de 2%. “Embora as medidas das expectativas de inflação de longo prazo tenham aumentado, elas permanecem um pouco distantes de nossa meta de 2%”, segundo Lagarde.

“Ainda há um caminho a percorrer antes que as consequências da pandemia de inflação sejam eliminadas. À medida que a economia se recupera, apoiada por nossas medidas de política monetária, esperamos que a inflação suba no médio prazo, embora permaneça abaixo de nossa meta”.