Ibovespa fecha em alta pelo quarto dia consecutivo com exterior; dólar recua

São Paulo – A Bolsa fechou mais um dia em alta, impulsionada pelas ações das empresas ligadas às commodities e de peso como Vale e Petrobras, com investidores de olho na definição sobre a promulgação da PEC dos precatórios e na divulgação da nova taxa Selic (taxa básica de juros), atualmente em 7,75%. Do lado negativo, as ações do setor financeiro e ligadas ao mercado imobiliário fecharam em queda. O principal índice da B3 subiu 0,65%, aos 107.557,67 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro teve alta de 0,66%, aos 107.950 pontos. O volume financeiro foi de R$ 23,371 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam em alta. 

No fechamento, ficaram entre as maiores altas os papéis da Méliuz (+14,42%), Banco Inter (BIDI11, +14,42% e BIDI4, +12,14), Locaweb (LWSA3, +6,97%) e Banco Pan (+6,06%). Fecharam entre as maiores baixas ações de Ecorodovias (ECOR3, -2,11%%), IRB Brasil (IRBR3, -2,31%), Multiplan (MULT3,-2,81%), MRV (MRVE3, -3,08%) e Eztec (EZTC3, -4,35%). 

As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) fecharam em altas de 2,77% e 1,63%, mesmo após a aprovação de um projeto que altera a política de preços da companhia, no Senado. A proposta segue agora para análise do plenário da casa. 

Os papéis da Vale (VALE3) tiveram ganho de 0,74%, após chegar a avançar mais de 3%, seguindo a alta dos preços dos contratos futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China. 

Ainda entre as mais negociadas, Bradesco (BBDC4) fechou em queda de 1,18%, assim como o de Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Santander e BB Seguridade, enquanto Magazine Luiza (MGLU3) avançou 4,38%. 

“Com quatro pregões de alta, em sequência que não era vista há dois meses, o Ibovespa já ganhou quase 6 mil pontos em dezembro. Após cinco meses consecutivos de queda, o sonho do rali de fim de ano parece estar em andamento”, comentou Para Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA. “O Ibovespa foi novamente impulsionado pelo salto das ações da Vale, que acompanhou os preços do minério de ferro e voltou a ultrapassar US$ 110 por tonelada, atingindo o maior preço em mais de cinco semanas. Este movimento da commodity ocorreu devido à expectativa de que o plano do governo chinês de aliviar as restrições ao setor imobiliário aumente a demanda. O Ibovespa, entretanto, se afastou das máximas por causa do impasse em torno da promulgação da PEC dos Precatórios, além do arrefecimento de outras blue chips”, acrescenta. 

Segundo o especialista, as ações da Petrobras conseguiram se manter em campo positivo, acompanhando a valorização do petróleo, mas com alta reduzida em reflexo à aprovação em comissão do Senado de projeto de lei que estabelece alíquotas mínimas para o imposto de exportação de petróleo bruto e altera a política de preços da estatal. 

O Indice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou queda em novembro de 0,58% depois de avançar 1,60% em outubro, segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado ficou acima da mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA, de -0,42%. Com isso, o indicador acumula altas de 16,28% no ano de 2021 e de 17,16% em 12 meses até novembro, resultado que ficou ligeiramente abaixo da previsão, de +17,35%, ainda segundo o Termômetro CMA. 

Para a chefe de economia da Rico, Rachel de Sá, o dado manteve as apostas para uma elevação de 1,5 ponto percentual na Selic, ao final da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que terminará amanhã. “Esperamos que o Banco Central anuncie hoje mais uma elevação de 1,5 ponto percentual na Selic – levando a taxa para 9,25% ao ano. “Já que a situação segue complicada na terra dos preços, esperamos que o Copom passe um recado bastante “falcônico” em sua comunicação – ou seja, destacando que fará tudo o que tiver no alcance para que a inflação alcance a meta (de 3,5% ano que vem) no horizonte relevante de política monetária. Em nossa visão, esse processo de alta da Selic deverá continuar até março de 2022, com a taxa básica de juros chegando a 11,50% ao ano”, comentou a analista da Rico. 

O dólar comercial fechou em R$ 5,6190, com queda de 1,29%. A moeda norte-americana perdeu força com o ambiente global de apetite ao risco, além do otimismo com a variante Ômicron, que aparenta ser menos letal que as anteriores. 

Para o head de análise macroeconômica da GreenBay Investimentos, Flávio Serrano, “o movimento hoje é de maior apetite ao risco, com forte correção no preço das commodities, em especial o minério de ferro que subiu quase 9% na China”. Serrano também vê uma atmosfera mais animadora quanto à nova cepa da Covid: “Existe otimismo em relação ao controle da Ômicron e isso também anima os mercados”, pontua. 

Para a economista e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, “existe um otimismo internacional com a Ômicron, que aparentemente causa menos problemas que o esperado”. Quartaroli acredita que os ruídos fiscais dificultam a valorização do real: “Os mercados continuam esperando a definição da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, isso acaba limitando a queda do dólar”, enfatiza. 

De acordo com o analista da Levante Investimentos, Enrico Cozzolino, “os dados de importação e exportação na China foram acima do esperado, assim como o crescimento industrial da Alemanha (2,8% em outubro ante setembro)”. As exportações chinesas cresceram 22%, enquanto as importações aumentaram 31,7%, resultando em um superávit de US$ 71,72 bilhões – todos os dados referentes a novembro. Cozzolino ressalta que a nova variante vem causando menos impacto: “O mercado está mais tranquilo com a Ômicron”. E pontua que nesta terça as questões fiscais domésticas, embora sejam um contraponto ao ambiente global positivo, não influem no câmbio. 

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam mistas, com o mercado finalmente precificando o fim da novela da PEC dos Precatórios. 

O DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 9,040% de 8,962% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 11,485%, de 11,390%, o DI para janeiro de 2025 ia a 10,860%, de 10,910% antes, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 10,850% de 10,940%, na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar com vencimento para janeiro operava em queda, cotado a R$ 5,64 para venda. 

Os principais índice do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo positivo pelo segundo dia consecutivo, com o Nasdaq subindo acima dos 3% à medida que os investidores estão cada vez menos preocupados com a nova variante Ômicron do coronavírus. 

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento: 

Dow Jones: +1,40%, 35.719,43 pontos 

Nasdaq Composto: +3,03%, 15.686,9 pontos 

S&P 500:  + 2,07%, 4.686,75 pontos