Guedes diz que só sai do cargo quando perder confiança de Bolsonaro

O ministro da Economia, Paulo Guedes. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

São Paulo – O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que só deixará o cargo se perder a confiança do presidente Jair Bolsonaro ou se for forçado a “empurrar o Brasil para o caminho errado”. Em entrevista ao Primocast concedida na última sexta-feira, ele disse que até agora nenhuma destas duas coisas havia acontecido até então. “De vez em quando tem uma pedra no caminho. Mas o saldo é vastamente positivo até agora”, acrescentou.

“Eu parti da ideia de que vindo para cá [governo] teria apoio do presidente para fazer mudanças. Ele também quer mudanças, O que nos aproximou é que ele quer mudanças. Isso de certa forma me trouxe. Segunda hipótese de trabalho que eu tinha é eu acho que Congresso vai me ajudar. EU acho que a mídia vai entender”, afirmou.

“Consigo ter comunicação boa com o presidente de um lado, com a centro-direita. Eu tenho a noção do compromisso. Enquanto eu puder ser útil, gozar da confiança do presidente… Eu sou demissível, em 30 segundos. Se ele confia no meu trabalho e eu consigo executar meu trabalho, tudo bem. Se ele não confiar, eu sou demissível em 30 segundos. Se eu conseguir ajudar o Brasil fazendo as coisas que acredito, devo continuar. A ofensa não me tira daqui. O medo, o combate, o vento, a chuva. Isso não me tira de jeito nenhum”, disse o ministro.

Durante a entrevista, Guedes comentou que o “caminho errado” e o “caminho da miséria” consistem em buscar permitir que a dívida e o gasto público cresçam de forma descontrolada. Segundo ele, esse tipo de comportamento transformaria o Brasil na Argentina ou na Venezuela num período de três a cinco anos.

Nesta linha de raciocínio, ele disse que uma eventual decisão do Congresso de fatiar a chamada PEC Emergencial, primeiro discutindo a autorização para a retomada do auxílio emergencial para depois avaliar as propostas que permitem um maior controle sobre as despesas públicas, “seria caótico para o Brasil. Teria efeito muito ruim para o Brasil”.