FMI coloca em vigor alocação de US$ 650 bi em direitos especiais de saque

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A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva. (Foto: Stephen Jaffe/FMI)

São Paulo – A alocação de direitos especiais de saque (SDRs, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de US$ 650 bilhões – a maior da história – entrou em vigor hoje. A medida, anunciada no início do mês, tem como objetivo aumentar a liquidez global durante a pandemia de covid-19.

“A alocação de SDR proporcionará liquidez adicional ao sistema econômico global, complementando as reservas cambiais dos países e reduzindo sua dependência de dívidas internas ou externas mais caras. Os países podem usar o espaço fornecido pela alocação de SDRs para apoiar suas economias e intensificar sua luta contra a crise”, disse Georgieva em comunicado.

De acordo com ela, os SDRs estão sendo distribuídos aos países na proporção de suas cotas no FMI. Isso significa que cerca de US$ 275 bilhões são destinados para países emergentes e em desenvolvimento, dos quais países de baixa renda receberão cerca de US$ 21 bilhões – o equivalente a até 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em alguns casos.

“Os SDRs são um recurso precioso e a decisão sobre a melhor forma de usá-los cabe aos nossos países membros. Para que os SDRs sejam implantados para o máximo benefício dos países membros e da economia global, essas decisões devem ser prudentes e bem-informadas”, afirmou.

Para apoiar os países e ajudar a garantir a transparência e a responsabilidade, Georgieva disse ainda que o FMI está fornecendo uma estrutura para avaliar as implicações macroeconômicas da nova alocação, seu tratamento estatístico e governança, e como isso pode afetar a sustentabilidade da dívida.

De acordo com a nota, o FMI está incentivando a canalização voluntária de alguns SDRs de países com fortes posições externas para os países mais necessitados. Nos últimos 16 meses, alguns membros já se comprometeram a emprestar US$ 24 bilhões, incluindo US$ 15 bilhões de seus SDRs existentes, para o Fundo de Redução e Crescimento da Pobreza do FMI, que fornece empréstimos concessionais a países de baixa renda.