Esperança por vacina contra coronavírus anima investidores

São Paulo – Após dois pregões seguidos de perdas, o Ibovespa fechou em alta de 1,94%, aos 100.274,52 pontos, acompanhando as Bolsas norte-americanas em meio a avanços de vacinas contra o coronavírus e da recuperação de ações de empresas de tecnologia. O índice ainda foi amparado pela melhora de ações do setor financeiro, que compensaram as perdas da Petrobras. O volume total negociado foi de R$ 24 bilhões.

“O mundo inteiro se beneficia da vacina e a volta dos testes da vacina da AstraZeneca deu uma força bem importante para os mercados. Mas também houve uma recuperação de papéis de tecnologia norte-americanos, com investidores vendo o setor se movimentar em termos de aquisições”, disse o sócio e head de produtos da Monte Bravo Investimentos, Rodrigo Franchini.

O laboratório AstraZeneca foi liberado para reiniciar os testes da fase 3 de sua vacina contra o coronavírus no Reino Unido após alguns dias de suspensão, depois que um paciente teve uma doença inexplicada. Ainda há outras notícias sobre vacinas, como a da Pfizer, que disse ser “provável” que a vacinação contra o coronavírus se inicie nos Estados Unidos ainda neste ano.

Já em relação ao setor de tecnologia, Franchini cita, por exemplo, as ações da Oracle, que é uma das candidatas à compra da TikTok, da chinesa ByteDance.

Entre as ações, os papéis do setor financeiro ganharam força ao longo do pregão, caso do Itaú Unibanco (ITUB4 1,77%) e da B3 (B3SA3 4,83%), que têm grande peso no índice e haviam mostrado quedas recentemente.

As maiores valorizações do índice, por sua vez, foram da Yduqs (YDUQ3 7,95%), da Gol (GOLL4 7,28%) e da Cielo (CIEL3 6,98%). Os papéis da Yduqs avançaram depois que a companhia indicou que pode entrar na disputa para comprar ativos da Laureate Internacional no Brasil, embora a companhia já tenha feito um acordo com a Ser Educacional (SEER3 10,20%), que não está no Ibovespa, mas também viu suas ações dispararem com a possibilidade de até dobrar de tamanho com a aquisição.

Na contramão, as maiores perdas foram da Petrobras (PETR3 -0,99%; PETR4 -0,91%) e da Petro Rio (PRIO3 -1,54%), que devolveram ganhos anteriores em meio a leves quedas dos preços do petróleo, que está vendo sua demanda global reduzir.

Amanhã, investidores ficarão atentos a uma série de indicadores que serão divulgados na China, como produção industrial e vendas no varejo. Também será divulgada a produção industrial norte-americana, além de indicadores europeus como a taxa de desemprego do Reino Unido.

Para Franchini, apesar da alta de hoje ainda não há motivos fortes para que o Ibovespa siga avançando mais e oscilações podem ser vistas dentro da faixa em que o índice já vem sendo negociado nas últimas semanas, de 98 a 103 mil pontos. Ele ainda destaca que investidores devem aguardar as decisões de política monetária que serão anunciadas nesta semana, com destaque para as do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira.

O dólar comercial encerrou em queda de 1,12% no mercado à vista, cotado a R$ 5,2760 para venda, no menor valor de fechamento desde 31 julho – quando fechou a R$ 5,2160 – em sessão positiva para os ativos globais em meio à recuperação das bolsas de Nova York, que fecharam acima de 1%, e com a retomada dos testes clínicos da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela empresa AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford.

O gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça que o dia foi marcado pelo bom humor dos investidores no exterior que levou à valorização das bolsas norte-americanas e “penalizou” o dólar, em sessão sem indicadores econômicos relevantes. “A procura por risco veio com a notícia da retomada dos testes da vacina de Oxford contra a covid-19”, destaca.

A semana, que começou positiva para os ativos globais, é marcada pelas reuniões de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), além do Banco da Inglaterra (BoE), Banco do Japão (BoJ) e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A expectativa dos investidores é de manutenção da taxa básica de juros desses países.

“No Brasil, a nossa expectativa é de que a taxa Selic seja mantida nos atuais 2,00% e que o BC sinalize, em suas comunicações, a redução do espaço para novos cortes de juros adiante, apesar de não fechar totalmente a porta”, comenta a equipe econômica da XP Investimentos.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque fica para as vendas no varejo e a produção industrial na China, em agosto, além dos dados da produção industrial dos Estados Unidos no mês passado. Enquanto o mercado se volta ao início das reuniões do Fed e do Copom.

“Se as vendas no varejo da China mostrarem força, pode ser um dado positivo indicando retomada da economia chinesa e pode fazer preço na abertura dos negócios”, diz o especialista em investimentos da Portofino, Thomás Gibertoni.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram o dia em queda, mantendo a trajetória vista desde a abertura do pregão, em meio às perdas aceleradas do dólar e do ambiente externo mais favorável aos ativos de risco. Os investidores digeriram os dados mais fracos que o esperado sobre a atividade econômica doméstica (IBC-Br), enquanto aguardam as reuniões dos bancos centrais do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fed).

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 2,81%, de 2,85% no ajuste anterior, na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 4,06%, de 4,14% após o ajuste ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 5,93%, de 5,98%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 6,92%, de 6,97%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo positivo, com altas superiores a 1% puxadas pela recuperação do setor de tecnologia após uma semana de perdas na semana passada.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações após o fechamento:

Dow Jones: +1,18%, 27.993,33 pontos

Nasdaq Composto: +1,87%, 11.056,65 pontos

S&P 500: +1,27%, 3.383,54 pontos