Em quatro semanas, bancos renegociam R$ 8,1 bilhões em dívidas no programa Desenrola

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Foto: energepic.com / Pexels

São Paulo – Entre os dias 17 de julho e 11 de agosto, o Programa Desenrola Brasil somou R$ 8,1 bilhões em volume financeiro negociados, exclusivamente pela Faixa 2, no qual os débitos bancários são negociados diretamente com a instituição financeira em condições especiais. Essa faixa inclui as dívidas bancárias dos clientes que tenham renda mensal superior a 2 salários-mínimos e menor que R$ 20 mil e que não estejam incluídos no Cadastro Único do Governo Federal.

Da mesma forma, o número de contratos de dívidas negociados chega a 1,296 milhão, beneficiando um universo de 985 mil clientes bancários. A adesão ao programa irá até o dia 31 de dezembro.

Nesse mesmo período, apenas as instituições financeiras retiraram as anotações negativas (desnegativaram) de cerca de 5 milhões de registros de clientes que tinham dívidas bancárias de até R$ 100,00. O prazo para essa baixa de registros se encerrou em 27 de julho. Esse balanço não inclui baixas de registros de outros credores não bancários.

“Os números do Desenrola falam por si e são uma grande satisfação para todos, bancos, governo e a sociedade. A grande adesão e o interesse pelo programa na Faixa 2 são uma amostra do que virá em setembro, com a Faixa 1”, avaliou o presidente da Febraban, Isaac Sidney.

A Febraban esclareceu que cada banco tem sua estratégia de negócio, adotando políticas próprias para adesão ao Programa. As condições para renegociação das dívidas, nessa etapa, serão diferenciadas e caberá a cada instituição financeira, que aderir ao programa, defini-la.

Inadimplência cai pelo segundo mês consecutivo no Brasil, diz Serasa

O número de brasileiros que não consegue pagar suas contas apresentou a segunda retração consecutiva em julho deste ano — redução de 34.495 mil pessoas na comparação com junho. É a primeira vez, desde junho de 2021, em que são registradas duas quedas em sequência. Os principais responsáveis pela segunda queda consecutiva dos números foram os débitos com bancos e cartões de crédito, conforme mostra o Mapa da Inadimplência da Serasa. Essa boa notícia pode estar ligada aos primeiros impactos do Programa Desenrola Brasil, do Governo Federal, que desde 17 de julho estimula a negociação de dívidas com as instituições financeiras.

O total de 71,41 milhões de pessoas inadimplentes registradas no mês passado mostra, porém, que ainda é muito alto. De acordo com a Serasa, a inadimplência atinge 43,72% da população adulta do país. Desse total, 50,4% são mulheres e 49,6% são homens. As faixas etárias mais afetadas são de 41 a 60 anos de idade (35%) e de 26 a 40 anos de idade (34,6%).

Segmento que sempre lidera o volume de inadimplentes, as dívidas com bancos e cartões de crédito registraram uma redução de 1,60 ponto percentual, passando de 31,13% em junho deste ano para 29,53% em julho, a maior queda na representatividade desse segmento registrada desde janeiro de 2019. Esse declínio foi impactado pelas dívidas negociadas nos canais do Serasa Limpa Nome, cujo índice relacionado aos grandes bancos aumentou de 14,77%, em junho, para 15,16% no mês passado.

No Desenrola Brasil, a Serasa foi escolhida como parceira por algumas das principais instituições financeiras do país para ser um dos canais de negociações de parte das dívidas que integram a Faixa 2 do programa (faixa para negociações de dívidas de qualquer valor de instituições financeiras, destinada a pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil).

De acordo com o Mapa da Inadimplência da Serasa, o mês de julho acumulou um total de 265 milhões de dívidas que somaram R$ 351 bilhões. O valor médio devido por cada brasileiro é de R$ 4.923,97. Com o Serasa Limpa Nome, no entanto, os brasileiros conseguiram renegociar no mês passado 3,8 milhões de débitos. O total de descontos concedidos atingiu R$ 8,89 bilhões.

Além de bancos e cartões, também foi verificada queda no percentual de déficits no varejo, que passou de 11,44% para 11,10% na comparação dos dois últimos meses. Já os segmentos de Utilities (contas de água, luz e gás) e Financeiras (empresas que concedem crédito mas não são bancos) tiveram alta no período.

Com Cynara Escobar / Agência CMA.