Devemos voltar à normalidade apesar do coronavírus, diz Bolsonaro

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Coletiva de Imprensa do Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro disse ontem em um pronunciamento em rede nacional que as pessoas devem “voltar à normalidade” e abdicar de medidas que restringem a circulação – como o fechamento de alguns setores do comércio – mesmo diante do número crescente de casos confirmados e de mortes provocadas pela epidemia do novo coronavírus, causador da Covid-19.

“O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade”, disse ele durante o pronunciamento, que pode ser assistido na íntegra no final da reportagem.

“Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa”, acrescentou.

O presidente também minimizou o efeito da Covid-19 sobre pessoas que estão fora do grupo com maior risco de morrer por causa da doença – os idosos com 60 anos ou mais e as pessoas que possuem as chamadas comorbidades – doenças crônicas e pré-existentes que podem ser agravadas em caso de infecção pelo novo coronavírus.

“O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos de idade. 90% de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine”, disse o presidente.

“Devemos sim é ter extrema preocupação em não transmitir o vírus para os outros, em especial aos nossos queridos pais e avós, respeitando as orientações do Ministério da Saúde”, acrescentou Bolsonaro.

Dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde mostraram que subiu para 2.201 o número de casos confirmados de Covid-19 no Brasil, e que foram registradas 46 mortes em decorrência da doença – 40 no estado de São Paulo e seis no Rio de Janeiro.

Todos os estados registram casos da doença em maior ou menor grau. Na região Norte há 3,7% do total de casos do Brasil, mas no Sudeste – onde os governadores adotaram as medidas criticadas por Bolsonaro, como o fechamento de estabelecimentos comerciais não-essenciais e a suspensão das aulas – estão mais da metade dos casos. Bolsonaro fará hoje uma reunião com estes governadores para falar sobre a epidemia.

Na sexta-feira passada, o Ministério da Saúde reconheceu a transmissão comunitária da Covid-19 em todo o país, o que em termos práticos determina que os gestores nacionais adotem medidas para promover o distanciamento social e evitar aglomerações.

HISTÓRICO DE ATLETA

No mesmo pronunciamento em que disse que a situação deve voltar à normalidade, o presidente Bolsonaro também tentou minimizar preocupações em torno de sua própria saúde, visto que várias pessoas de uma comitiva que viajou com ele para os Estados Unidos contraíram o novo coronavírus, assim como alguns ministros – como o da Segurança Institucional, Augusto Heleno, e o de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, Nada sentiria, ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha, ou ‘resfriadinho’, como bem disse aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão”, disse Bolsonaro.

O comentário do presidente faz referência a um vídeo publicado no final de janeiro pelo médico Drauzio Varella em que ele comenta sobre os casos do novo coronavírus, que até então ainda estavam concentrados principalmente na China.

Veja o vídeo com o pronunciamento de Jair Bolsonaro na íntegra: