Bolsa sobe e dólar cai na expectativa por acordo no Senado dos EUA

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São Paulo – Em um dia de ajuste de Bolsas no exterior e no qual o índice norte-americano Dow Jones teve o maior ganho percentual desde 1933 (+11,37%), o Ibovespa acompanhou o movimento e encerrou em alta de 9,68%, aos 69.729,30 pontos. Depois de quedas recentes, investidores voltaram a comprar ações em meio a expectativas de que o Senado dos Estados Unidos entre em acordo para aprovar um pacote trilionário de ajuda à economia do país.

O mercado também tem observado o possível afrouxamento de quarentenas em alguns países. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou querer que o país “volte ao normal” até a Páscoa, apesar do número de casos no país continuar crescendo. O volume total negociado hoje foi de R$ 25,5 bilhões.

“Parece que vão chegar a um acordo nos Estados Unidos e o mercado está antecipando uma melhora da situação”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo.

Para Zuffo, apesar de ser impossível prever se os pacotes já anunciados serão suficientes para cobrir os prejuízos econômicos, eles trazem algum alívio e investidores começam a visualizar uma estabilização de casos de coranavírus em alguns países, como na China. Possíveis impactos nas economias, com o endividamento e até fechamento de algumas empresas nesse período, também já estariam “no preço”.

A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, disse a repórteres nesta manhã que existe otimismo real de que o Congresso possa chegar a um acordo. Trump, no entanto, disse que não assinaria nenhuma legislação de estímulo econômico que superasse os US$ 2 trilhões porque, segundo ele, a oposição democrata estaria incluindo itens que não fazem sentido. O presidente ainda afirmou que deseja reabrir o país por completo até a Páscoa, comemorada este ano em 12 de abril.

Para o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, as Bolsas podem manter tendência de alta amanhã, porém, “não tão vigorosa quanto hoje”, caso o pacote seja aprovado.

Entre as ações, diversos papéis mostraram recuperação hoje, com as maiores altas do Ibovespa ficando com ações que já haviam caído bastante nos últimos dias, caso do BTG Pactual (BPAC11 23,20%), da B2W (BTOW3 21,30%) e do Magazine Luiza (MGLU3 21,15%). Na contramão, as maiores perdas foram da RD (RADL3 -6,70%), do Carrefour (CRFB3 -2,98%) e da Cielo (CIEL3 -2,17%), que vinham subindo diante da disseminação da pandemia.

Amanhã, na agenda de indicadores, investidores devem ficar atentos aos dados do IPCA-15 e dos dados do setor de serviços no Brasil, no entanto, o foco deve seguir no noticiário em torno do coronavírus.

O dólar comercial fechou em queda de 1,01% no mercado à vista, cotado a R$ 5,0840 para venda, em sessão de alívio nos ativos globais com moedas de países emergentes se recuperando das fortes perdas exibidas ontem, enquanto o mercado acionário fechou em forte alta ao redor do globo. Investidores aguardam a aprovação de um pacote de estímulos nos Estados Unidos.

Para o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, o “modo comportado” da moeda norte-americana na sessão ficou “dentro de um range estreito para dias de crise, com pouca oscilação entre a mínima na faixa dos R$ 5,04 e máxima R$5,10.

“O principal indutor para este comportamento mais equilibrado foi a volta do apetite por ativos de risco por parte dos investidores que acreditam em um acordo entre o governo de Donald Trump [presidente dos Estados Unidos] e os democratas na aprovação de um pacote fiscal trilionário para combater os estragos causados pela pandemia do coronavírus”, comenta.

Mais cedo, a presidente da Câmara dos Deputados no país comentou mais cedo que havia um otimismo para que a pauta fosse aprovada “nas próximas horas”. Apesar do viés positivo nos mercados globais e no cenário doméstico, Rugik ressalta que o destaque negativo continua sendo o “forte spread” por parte dos bancos nas operações de comércio exterior, tanto no mercado à vista quanto no mercado futuro.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, o comportamento da moeda deverá seguir o fluxo de notícias a respeito do novo coronavírus e em relação as medidas anunciadas pelos governos. Para o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, o dólar pode manter o viés de baixa se o pacote de estímulos, supostamente avaliado em US$ 2,0 trilhões, for aprovado no Senado norte-americano.