Depoimento e planilha ligam Bolsonaro a caixa dois, diz Folha

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Por Gustavo Nicoletta

Presidente Jair Bolsonaro durante encontro com lideranças empresariais e cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Industrial São Paulo. (Foto: Alan Santos/PR)

São Paulo – O depoimento de um ex-assessor e uma planilha encontrada pela Polícia Federal em uma gráfica sugerem que o presidente Jair Bolsonaro teria sido um dos beneficiados pelo esquema de desvio de recursos públicos via campanhas eleitorais falsas do PSL em Minas Gerais, segundo o jornal “Folha de S.Paulo”. O esquema é o mesmo que levou o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) a denunciar, na sexta-feira, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Segundo a Folha, Haissander Souza de Paula, ex-assessor do atual ministro, disse que “acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usado para pagar material da campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.

Além disso, uma planilha que teria sido encontra pela Polícia Federal refere-se a fornecimento de material eleitoral para a campanha de Bolsonaro com a expressão “out”, o que os investigadores acreditam ser uma referência a pagamentos feitos “por fora”, disse o jornal.

No Twitter, o presidente disse que a reportagem da “Folha” trouxe “mentiras, já habituais”, e que os jornalistas “conseguiram descer às profundezas do esgoto.”

“Não usei dinheiro do fundo partidário. Foram R$ 1,7 bi distribuídos aos partidos. Arrecadei na Internet R$ 4 milhões e usei apenas a metade. Tentei doar a sobra de R$ 2 milhões para a Santa Casa de Juiz de Fora, mas a legislação não permitiu. O que mais me surpreende são os patrocinadores que anunciam nesse jornaleco chamado Folha de São Paulo”, disse Bolsonaro.

A “Folha de S. Paulo” foi quem primeiro publicou reportagem a respeito das candidaturas falsas do PSL em Minas Gerais. As informações levaram à abertura de investigações pela Polícia Federal que na semana passada implicaram o ministro do Turismo no caso.

O esquema consistia em desviar recursos públicos que deveriam ser destinados exclusivamente para a candidatura de mulheres. As candidaturas eram lançadas, mas os recursos eram desviados por meio de notas fiscais falsas para outras finalidades, segundo a denúncia original.