Dado fraco de emprego não impedirá Fed de reduzir compras de ativos em novembro

Prédio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em Washington. Foto: Divulgação/ Federal Reserve

São Paulo – A criação de vagas abaixo do projetado em setembro nos Estados Unidos não impedirá o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de anunciar a redução gradual das compras de ativos em novembro, segundo especialistas consultados pela Agência CMA.

“A desaceleração nas contratações impulsionada pela variante Delta em agosto pareceu se estender para setembro, ainda mais contida por 180 mil empregos perdidos na área de educação. Embora o número de setembro tenha sido decepcionante, não foi terrível. A maioria dos setores registrou ganhos e a taxa de desemprego continuou em queda. É improvável que o dado de emprego de setembro impeça o Fed de começar a reduzir as compras de ativos em novembro”, disse a economista sênior da TD Economics, Leslie Preston.

A economia dos Estados Unidos criou 194 mil postos de trabalho em setembro e a taxa de desemprego caiu para 4,8%, de 5,2% em agosto. O número de vagas criadas ficou abaixo da projeção dos analistas consultados pela Agência CMA, que esperavam abertura de 500 mil vagas. A taxa de desemprego veio abaixo da previsão, de 5,1%.

O salário médio por hora no setor privado somou US$ 30,85 em setembro, alta de 0,6% ante os US$ 30,66 registrados em agosto e alta de 4,6% em comparação aos US$ 29,50 em setembro do ano anterior. A previsão era de alta de 0,4% em base mensal e aumento de 4,7% em termos anuais.

“Existem 11 milhões de vagas nos Estados Unidos, portanto, o fato de a economia ter criado apenas 194 mil empregos em setembro mostra que se trata de um problema de oferta e não de demanda. A competição por trabalhadores é intensa e isso vai elevar os salários e aumentar as pressões inflacionárias, elementos suficientes para uma redução do estímulo do Fed em novembro”, disse o economista chefe internacional do ING, James Knightley.

Na reunião do mês passado, o Fed reconheceu que o progresso da economia norte-americana poderia fazer com que as compras de ativos fossem reduzidas em breve. Além disso, o presidente do banco, Jerome Powell, chegou a indicar que não seria necessário um grande dado de emprego para que o chamado tapering começasse.

“O debate sobre a redução das compras de ativos segue vivo após o relatório de emprego de setembro. As contratações não foram tão fracas quanto o número geral indica, devido a difíceis fatores sazonais no setor de educação. Mas o relatório de hoje ressalta que a disponibilidade de mão de obra continua sendo o maior desafio para a contratação no momento. A taxa de participação da força de trabalho caiu em setembro, enquanto a taxa de desemprego recuou para 4,8%. Com as empresas ainda lutando para encontrar trabalhadores”, afirmou a economista sênior do Wells Fargo, Sarah House.

Segundo o economista sênior da Capital Economics para os Estados Unidos, Andrew Hunter, o relatório de empregos dos Estados Unidos “provavelmente ainda é visto como ‘decente’ o bastante” para o Fed começar a reduzir as compras de ativos em novembro.

“Porém, juntamente com sinais de que o crescimento da atividade está desacelerando de forma acentuada, ao mesmo tempo em que a piora na escassez de mão de obra está pressionando o aumento dos salários de forma séria, parece que as autoridades do Fed ficarão numa posição desconfortável nos próximos meses”, disse Hunter.