IPCA acelera em setembro e sobe 1,16%, mas ainda abaixo do esperado

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São Paulo – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,16%% em setembro na comparação com agosto, acelerando-se em relação à alta apurada no período anterior (+0,87%), segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa foi a maior para o mês desde 1994 (+1,53%). O resultado ficou um pouco abaixo da mediana das expectativas do mercado financeiro, de +1,25%, conforme o Termômetro CMA.

Segundo o IBGE, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram alta em setembro, sendo que a maior variação (2,56%) veio do grupo Habitação. Na sequência, vieram Transportes (1,82%) e Alimentação e Bebidas (1,02%).

O resultado do grupo Habitação (2,56%) foi influenciado principalmente pela alta da energia elétrica (6,47%). Em setembro, passou a valer a bandeira Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

O IBGE enfatiza que esses três grupos contribuíram, conjuntamente, com cerca de 86% do resultado de setembro.

O grupo dos Transportes (1,82%) acelerou em relação a agosto, quando variou 1,46%. Mais uma vez, a maior contribuição (0,18 p.p.) veio dos combustíveis, que subiram 2,43%, influenciados pelas altas da gasolina (2,32%) e do etanol (3,79%). Além disso, o gás veicular (0,68%) e o óleo diesel (0,67%) também apresentaram variação positiva.

Por outro lado, o grupo Alimentos e Bebidas (1,02%) teve variação menor que a de agosto (1,39%). No lado das altas, destacam-se as frutas (5,39%), café moído (5,50%), frango inteiro (4,50%) e frango em pedaços (4,42%).

Além disso, também foram verificadas altas nos preços da batata-doce (20,02%), da batata-inglesa (6,33%), do tomate (5,69%) e do queijo (2,89%).

Por outro lado, houve recuo nos preços da cebola (-6,43%), do pão francês (-2,00%) e do arroz (-0,97%).

Os preços das carnes (-0,21%) também recuaram em setembro, após 7 meses consecutivos de alta, acumulando variação 24,84% nos últimos 12 meses.

Quanto aos índices regionais, o IPC5 subiu em todas as 16 regiões pesquisadas neste mês, em que o menor resultado foi registrado em Brasília (0,79%), por conta da queda nos preços da gasolina (-0,81%) e do seguro de veículo (-3,36%). Já a maior variação foi observada em Rio Branco (1,56%), influenciado pelas altas nos preços da energia elétrica (6,09%) e do automóvel novo (3,57%).

“O indicador, embora abaixo do projetado, não traz elementos tão confortáveis”, diz Gustavo Cruz, economista e estrategista da RB Investimentos.

Cruz destaca a questão do dissídio e acordos coletivos. “Esses últimos meses do ano são ainda mais relevantes porque é época de reajustes salariais. Se ano passado o dissídio girou em torno de 3%, agora provavelmente teremos reajustes fortes, o que consequentemente se traduz em inflação para a cadeia”, diz. “Por isso não é interessante para a inflação que o IPCA desse período seja muito alto”, completa.

Por outro lado, o economista destaca o “único ponto positivo” do IPCA neste mês: “A difusão caiu de 72 em agosto para 65 em setembro”, afirma. Difusão é a quantidade de itens dentro da projeção que registraram aumento nos preços.

O IPCA é calculado com base em famílias com rendimentos de 1 a 40 salários e que vivem nas principais regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília. Para o cálculo do indicador, os preços foram coletados no período de 28 de agosto e 28 de setembro de 2021.