Compass, da Cosan, arremata 51% da Sulgás por R$ 927,8 mi, em leilão sem concorrência

A companhia, que também detém a Comgás, foi a única ofertante e levou a fatia pelo valo mínimo previsto; cia disse avaliar outros ativos no setor

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São Paulo – A Compass, do grupo Cosan, venceu o leilão de venda de 51% do capital social da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás) por R$ 927,8 milhões, valor mínimo proposto pela fatia, em certame sem concorrência.
A participação restante da Sulgás segue pertencendo à Petrobras Gás, a Gaspetro. Porém, a Compass também tem interesse em comprar a participação de 51% da Petrobras na Gaspetro. A operação, no entanto, ainda precisa ser analisada e aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A Sulgás iniciou a comercialização do gás natural em 2000, com a conclusão do gasoduto Bolívia-Brasil, e desde sua criação, em 1993, atua como uma sociedade de economia mista, tendo como acionistas o Estado do Rio Grande do Sul e a Petrobras Gás, a Gaspetro. Atualmente, a empresa distribui, em média, 2,27 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente a mais de 68 mil clientes, dispondo de uma rede de distribuição de gás com 1.355 km de extensão.
O leilão da companhia foi realizado na B3 por meio de lote único. A alienação das ações, parte do processo de desestatização conduzido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é precedida de aprovação pelo Conselho Diretor do Programa de Reforma do Estado do Rio Grande Sul e autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
FALTA DE CONCORRENCIA
A falta de interesse de demais empresas no certame foi justificada por representantes do BNDES e pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, pelo fato de o mercado de gás natural ainda estar em desenvolvimento no Brasil, depois de ser aberto recentemente com um novo marco regulatório aprovado este ano.
Segundo o BNDES, a expectativa é que o setor atraia mais investidores, incluindo estrangeiros, assim como os setores de rodovias e saneamento, daqui a dois a três anos, quando tiver maior maturidade e um maior pipeline de projetos no Brasil. O banco destacou que foi o primeiro leilão no segmento de gás em cerca de 20 anos.
SINERGIAS
O presidente da Compass, Nelson Gomes, afirmou que vê uma tendência clara de crescimento do gás natural na matriz energética brasileira e que desde o início da gestão da Comgás, em São Paulo, há mais de 10 anos, a empresa tem apostado nesse mercado.
“O que buscamos com essa aquisição é somar experiência e aprendizado que tivemos na gestão da Comgás. Vamos somar essas experiências com um número maior de clientes e desenvolvimento de negócios comerciais e industriais no estado, transformar em vetor de crescimento da infraestrutura de gás natural no Rio Grande do Sul, o que também dá ao estado uma alternativa de segurança energética”, disse após o término do leilão.
Questionado por jornalistas sobre as limitações de oferta de gás no estado do Rio Grande do Sul, que depende do Gasoduto Bolívia-Brasil, o presidente da Compass disse esperar que essa oferta possa crescer no estado e no restante do país.
“Sabemos que há sim algumas limitações de oferta e o mercado de gás no Brasil começa a passar por uma grande transformação. Esperamos que a oferta tenha expansão por todo o país, não somos verticalizados, não participamos da cadeia de produção do gás natural, mas com a abertura desse mercado no Brasil esperamos que novas ofertas passem a existir. Vamos lutar para ter diversidade de oferta no estado”, disse.
Gomes ainda afirmou que a Compass deve avaliar outros ativos que vierem a mecado no segmento, tendo como estratégia replicar o modelo de gestão que possuem hoje na Comgás. Porém, não confirmou se devem participar do leilão da Companhia de Gás do Espírito Santo (ES Gás), que deve ocorrer no início do ano que vem.