Bullard defende acomodação mesmo com sinal de inflação mais alta

O presidente da unidade do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Saint Louis, James Bullard / Foto: Fed Saint Louis

São Paulo – O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deu novos sinais de que manterá o nível atual de acomodação monetária mesmo em um momento no qual a economia dos Estados Unidos se recupera em ritmo acelerado e com os sinais de aceleração da inflação, o que tem despertado especulações de ajuste da taxa de juros antes do previsto.

Dessa vez, foi o presidente da unidade do Fed de Saint Louis, James Bullard, que deu o recado: “Ainda é cedo para tratarmos da retirada da acomodação e, quando isso acontecer, o presidente [Jerome] Powell falará do assunto”, afirmou ele em entrevista para a Bloomberg TV.

Bullard, que este ano não tem direito a voto, reconheceu que o processo de vacinação contra a covid-19 somado às medidas de estímulos permitiram uma recuperação mais acelerada da economia norte-americana. Segundo ele, a expansão deste ano deve ser de 6,5%.

Ele também prevê uma inflação mais alta ainda neste ano como resultado do processo de reabertura da economia. Questionado sobre a expectativa para o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) que será divulgado amanhã, o chefe do Fed de Saint Louis não quis arriscar uma previsão.

“Há uma dificuldade na hora de interpretar os efeitos de base do CPI. Teremos uma visão melhor da inflação a partir do segundo semestre deste ano, mas tudo indica que haverá uma aceleração”, afirmou ele.

Bullard disse ainda que o Fed segue atento aos problemas na cadeia de suprimentos. Os Estados Unidos vêm enfrentando uma crise de abastecimento vista especialmente nos chips, o que tem paralisado a produção de muitas indústrias, entre elas a automotiva.

“Estamos acompanhando de perto a crise na cadeia de suprimentos e seus possíveis efeitos sobre o aumento de preços”, afirmou ele.

Na semana passada, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a pandemia forçou a redução da produção em muitas indústrias, o que levou a atual crise de abastecimento agora que algumas economias se recuperam antes do previsto. Na ocasião, Powell afirmou que a cadeia de suprimentos iria se adaptar novamente à reabertura da economia.