Brasil pode se tornar o maior exportador de hidrogênio verde do mundo

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São Paulo – O estudo Green Hydrogen Opportunity in Brazil, feito pela consultoria alemã Roland Berger, aponta que o Brasil irá se tornar o principal produtor de hidrogênio verde do mundo. Isso faz parte das metas globais de descarbonização, que para ser atingidas precisam de um amento de seis vezes no consumo de hidrogênio. Até 2050, o Brasil deve gerar R$ 150 bilhões, sendo R$ 100 bilhões em exportações. A projeção foi feita pelo partner head de Energia da Rolemberg, Jorge Pereira da Costa.

Os compromissos foram previamente estabelecidos na COP21, em 2015, que ocorreu em Paris, com o intuito reduzir as emissões de gases de efeito e reduzir os danos do aquecimento global. Para que estas ações sejam efetivas, pontua a Rolemberg, o consumo de hidrogênio terá de passar dos atuais 90 milhões de tonelada/ano para 527 milhões de tonelada até 2050. Em termos financeiros, esta transformação movimentar mais de um US$ 1 trilhão em venda direta da molécula ou derivados.

Pereira classifica o gás como o “petróleo do futuro”, com papel fundamental no desenvolvimento econômico mundial. E é neste contexto que o Brasil tem vantagem: a produção brasileira será mais barata na comparação com outros países e a Europa seria a principal cliente do país sul-americano.

De acordo com a Berger, o hidrogênio deve receber investimentos de cerca de R$ 600 bilhões nos próximos 25 anos, o que deve fazer com que a capacidade de produção energética chegue em 170 GW até 2050, o que faria com que o Brasil tivesse de dobrar a capacidade de sua matriz energética.

Para que isso ocorra, pontua o estudo, o quilo do hidrogênio precisaria custar R$ 2 até 2025, o que pode ser influenciado pelo uso de eletricidade renovável excedente, diminuição dos custos de transmissão e distribuição de eletricidade para a produção do H2Verde e isenções fiscais.

“O Brasil tem que criar condições para a redução dos riscos dos projetos de investimento no país, nomeadamente regular o mercado interno, taxar com as emissões de carbono, particularmente das indústrias mais consumidoras de hidrogênio e/ou conceder incentivos financeiros, fiscais ou outros para reduzir os preços de produção e apoiar os agentes produtores instalados no país na participação de certames internacionais de compra de hidrogênio verde e/ou de produtos verdes utilizados para o seu transporte”, avalia Pereira.