Bolsonaro tem “pressa” para vacina contra covid, mas aguarda laboratórios

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O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante a solenidade de posse dos ministros da Justiça e Segurança Pública; e da Advocacia-Geral da União no Palácio do Planalto. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

São Paulo, 28 de dezembro de 2020 – O governo brasileiro tem pressa para a obtenção de uma vacina contra a covid-19, mas aguarda que os laboratórios recebam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para distribuir o medicamento e esclareçam quais serão suas responsabilidades em caso de reações adversas.

“Existem quatro laboratórios que desenvolvem estudos clínicos de vacinas no Brasil. Contudo, nenhum deles até agora apresentou junto à Anvisa pedido de uso emergencial ou de registro”, disse ele ontem em sua conta no Twitter.

“Tão logo um laboratório apresente seu pedido de uso emergencial ou registro junto à Anvisa, e esta proceda a sua análise completa e o acolha, a vacina será ofertada a todos e de forma gratuita e não obrigatória”, acrescentou.

“Temos pressa em obter uma vacina, segura, eficaz e com qualidade, fabricada por laboratórios devidamente certificados. Mas a questão da responsabilidade por reações adversas de suas vacinas é um tema de grande impacto e que precisa ser muito bem esclarecido”, disse ele ontem em sua conta no Twitter.

Os quatro laboratórios a que Bolsonaro se refere são a AstraZeneca, que desenvolve sua vacina em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Sinovac, que tem parceria com o Instituto Butantan, a Janssen e a Pfizer.

Dados publicados pela Anvisa e atualizados até a última quarta-feira (23) mostram que, dentre eles, só AstraZeneca e Pfizer apresentaram os resultados dos estudos feitos com a vacina no Brasil, e que destes dois apenas as fábricas da AstraZeneca receberam certificação de boas práticas – uma das etapas necessárias para a obtenção do registro da vacina.

No caso da Pfizer, a análise das fábricas foi solicitada, porém não foi concluída. A Anvisa também não concluiu a análise dos planos de gerenciamento de risco da Pfizer – algo que já foi feito com os demais laboratórios.

A Sinovac e o Butantan receberam a certificação das fábricas, mas ainda não divulgaram os resultados dos ensaios clínicos com a vacina no Brasil. A Janssen não apresentou os resultados nem recebeu a certificação das fábricas, embora já tenha solicitado isso à Anvisa.

REAÇÕES

Destas quatro vacinas, a da Pfizer está sendo usada em campanhas de vacinação no Reino Unido, na União Europeia e nos Estados Unidos. A da Sinovac foi aplicada em algumas pessoas na China. As da Janssen e da AstraZeneca ainda não estão em uso.

Nas últimas semanas, houve pelo menos nove relatos de reações adversas graves relacionados à vacina da Pfizer – um número muito pequeno quando comparado ao total de vacinados. No Reino Unido, somente na primeira semana, mais de 130 mil pessoas foram imunizadas.

Dados divulgados em setembro pela Sinovac apontaram que cerca de 5% das pessoas que receberam a vacina tiveram algum tipo de fadiga ou desconforto.