Bolsa sobe e dólar cai na expectativa por vacina para coronavírus

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São Paulo – O Ibovespa fechou a primeira sessão do mês em alta de 1,20%, aos 96.203,20 pontos, reagindo a indicadores de atividade positivos, à expectativa sobre uma vacina contra o coronavírus e à previsão de que medidas de estímulos continuarão a amparar as economias. A recuperação de ações como as de bancos também puxaram o índice, fazendo com que tenha subido mais do que outros mercados acionários no exterior.

Durante à tarde, a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) reiterou o discurso de que a economia pode precisar de apoio por mais tempo, o que é favorável para Bolsas, apesar da incerteza em função da pandemia. Há pouco, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também disse que apoia uma nova rodada de estímulos.

Para o analista do banco Daycoval, Enrico Cozzolino, notícias como essa dão um certo alívio apesar do crescimento de casos de coronavírus especialmente em estados norte-americanos. “A ata do Fed não teve grandes novidades, mas os movimentos no sentido de manter estímulos ajudam a manter mercados em alta. Também tivemos mais indicadores positivos, como os PMIs”, disse.

Mais cedo, o setor privado nos Estados Unidos mostrou a criação de 2,369 milhões de vagas, abaixo da criação de 2,5 milhões de vagas esperadas pelo mercado. No entanto, o registro de maio foi revisado positivamente, de fechamento de 2,760 milhões de vagas para a abertura de 3,065 milhões. Ainda foram divulgados outros indicadores no país, como o PMI de atividade industrial e o índice ISM de atividade industrial, que mostraram avanço em junho.

Também ajudou na melhora do humor a notícia de que a farmacêutica alemã BioNTech e a norte-americana Pfizer anunciaram que um dos seus quatro candidatos a vacina contra o coronavírus mostrou resultado positivos em estudos preliminares.

Entre as ações, algumas que recuaram com mais força ontem se recuperaram hoje, dando sustentação ao índice, caso dos bancos como Itaú Unibanco (ITUB4 2,63%) e Banco do Brasil (BBAS3 2,86%).

Já as maiores altas do índice foram da Cyrela (CYRE3 7,52%), Cosan (CSAN3 5,66%) e da Ecorodovias (ECOR3 5,62%). Na contramão, as maiores quedas foram do IRB Brasil (IRBR3 -7,18%), da BRF (BRFS3 -3,57%) e da Gerdau (GGBR4 -3,31%). O Credit Suisse cortou a recomendação para as ações do IRB de neutra para “underperform” (equivalente à venda) após a companhia divulgar seus resultados trimestrais.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque será o número de criação de empregos nos Estados Unidos, conhecido como payroll, que foram adiantados para quinta-feira já que sexta-feira é feriado no país. Ainda serão divulgados os pedidos de seguro-desemprego, a balança comercial e as encomendas às fábricas norte-americanas. Já na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Chistine Lagarde, participa de evento às 9h10, enquanto no Brasil será divulgada a produção industrial.

Para o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, apesar da alta de hoje, o índice pode continuar mostrando volatilidade em meio a preocupações com a pandemia. “O índice ainda precisa romper os 97.500 para gerar mais força na compra de médio prazo, enquanto isso seguiremos operando entre ganhos e perdas”, acredita.

O dólar comercial fechou em forte queda de 2,17% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3180 para venda, no primeiro pregão do segundo semestre do ano, influenciado pelo exterior mais positivo para as moedas de países emergentes após notícias de que os testes de uma vacina contra o novo coronavírus foram positivos, além de números de atividade mais favoráveis nos Estados Unidos.

O analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, destaca que em uma sessão de retomada do otimismo global, a moeda norte-americana, apesar de oscilar com sinal positivo na abertura dos negócios, passou a acumular perdas após o resultado melhor que o esperado do relatório de empregos no setor privado dos Estados Unidos (ADP), no qual revisou os números de maio. O fechamento de 2,7 milhões de vagas registrado anteriormente foi revisado para abertura de mais de 3,0 milhões de vagas no país.

“A notícia de que testes preliminares de uma vacina contra a covid-19 realizados por um laboratório norte-americano com resultados satisfatórios levou investidores a uma nova onda de aceitação ao risco”, comenta.

À tarde, a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) “não trouxe novidades”, observa o analista, o que contribuiu para que o “clima favorável” se mantivesse até o encerramento da sessão.

Amanhã, na véspera de feriado nos Estados Unidos, o destaque na agenda de indicadores será os dados do mercado de trabalho norte-americano com a divulgação do relatório de empregos, o payroll, de junho, e o número de pedidos de seguro-desemprego até o fim da semana passada.

“Aqui, terá a divulgação da produção industrial [de maio] que será importante. Apesar de uma agenda cheia de dados relevantes, é preciso acompanhar o fluxo de notícias, principalmente, os desdobramentos sobre os testes de uma vacina contra o coronavírus”, comenta o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer.