Bolsa fecha em queda puxada por IPCA, bancos, Vale e ações do ciclo doméstico; dólar sobe

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Mercado Gráfico Percentual
Foto: Svilen Milev / freeimages.com

São Paulo -A Bolsa fechou em queda impactada por um Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) de janeiro mais forte, pressão de ativos de peso no Ibovespa como Vale, Petrobras e bancos e ações sensíveis a juros. Os investidores também buscam proteção devido ao feriado de carnaval [dias 12 e 13] em que a Bolsa ficará fechada.

Mais cedo, foi divulgado o IPCA que subiu 0,42% e a projeção do mercado era de 0,35%. No acumulado em 12 meses até janeiro, o índice tem alta de 4,51% ante projeção de 4.44%.

As ações da Vale (VALE3) caíram 0,88%. Petrobras (PETR 3 e PETR4) baixou 0,34% e 0,80% antes do relatório de produção referente ao 4T23.

Em relação ao setor financeiro, o Bradesco (BBDC4) teve mais uma sessão negativa, caiu 2,86% e (ITUB4) 1,65%. O Banco do Brasil (BBAS3) registrou queda de 1,96%, antes da divulgação do balanço do 4T23.

Já o destaque positivo ficou para CSN Mineração (CMIN3), subiu 0,76%, em meio ao anúncio feito pela CSN de captar US$ 200 milhões com a reabertura de uma emissão de bonds com vencimento em 2030.

O principal índice da B3 caiu 1,33%, aos 128.216,92 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em fevereiro perdeu 1,48%, aos 128.125 pontos. O giro financeiro foi de R$ 26,2 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam em alta.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos, disse que o IPCA e ações de peso puxaram a Bolsa pra baixo.

“Com dúvidas se o dado da inflação pontualmente ruim pode impactar no ritmo de queda e na taxa terminal da Selic, o Ibovespa foi pressionado por ações dos bancos, empresas sensíveis ao ciclo econômico e Vale -não conseguiu aproveitar a sessão positiva do minério de ferro na China. Pesou também a proximidade dos feriados e um cenário político conturbado”.

Felipe Leão, especialista da Valor Investimentos, disse que a queda da Bolsa reflete os dados do IPCA acima do esperado e o recuo de ações relevantes.

“A queda de ações de peso no índice, o IPCA pior e Nova York sem força puxa o Ibovespa pra baixo. Além disso, a virada da Petrobras para o negativo, fraqueza das metálicas e recuo dos papéis da economia doméstica- sentem a alta de juros motivada pelo IPCA- contribuem para o mau humor. Lá fora, as falas de dirigentes do Fed reforçando a expectativa de que as taxas devem ser mantidas nesse patamar por mais tempo prejudicam o mercado”.

Bruno Komura, analista da Potenza Investimentos, disse que o principal drive é o IPCA acima do esperado.

“Com o resultado da inflação acima do esperado, fica a incerteza de como pode terminar a Selic em 2023, muitos chegaram a acreditar que poderia chegar no fim do ano em 8%; outro ponto é a retirada de capital estrangeiro da B3 que acaba pressionando o Ibovespa, o movimento de retirada deve continuara; as commodities deveriam subir após a expectativa de estímulos do governo chinês para impulsionar a economia do País, mas a Vale cai. Em relação a Petrobras, Komura comentou que o relatório de produção da estatal que será divulgado hoje após o fechamento do mercado não deve trazer surpresa, o mercado deve ficar de olho na política de dividendos, se a empresa vai continuar a pagar dividendos aos acionistas”.

Lais Costa, analista da Empiricus Research, disse que a composição do IPCA não foi animadora.

“Houve uma piora inflacionária doméstica. A inflação de serviços adjacentes segue pressionando o índice, grupo relevante para a política monetária, apesar de estar concentrado em serviços bancários; a alta dos itens de higiene pessoal surpreendeu para cima [+0,83%]. Na ata do Copom, o BC mostrou maior preocupação com a inflação de salários, e esperamos que a comunicação continue nessa linha. Também continuamos esperando reduções de 50 ponto percentual (pp) no primeiro semestre deste ano”.

Mais cedo, Ubirajara Silva, gestor de renda variável independente, o Ibovespa futuro operava em queda refletindo o dado do IPCA e falas do Lula.

“O número veio mais forte que a expectativa do mercado e isso está gerando um certo estresse nos ativos brasileiros. O resultado traz um certo alerta, mas ainda é cedo para falar em mudança no plano de voo do Banco Central. As declarações do Lula em uma rádio de Minas Gerais também podem impactar o mercado. Ele disse que o governo busca o déficit zero, mas se não conseguir também é bom. O mercado também fica de olho na situação entre governo e Congresso. Com o feriado do carnaval e vencimento do índice na quarta-feira (14), o mercado pode procurar proteção nesses dois dias [hoje e amanhã]; atenção ao balanço do Banco do Brasil e relatório de produção da Petrobras. O papel da estatal tem performado muito bem”.

O dólar comercial fechou em alta de 0,53%, cotado a R$ 4,9946. A moeda refletiu, ao longo da sessão, a alta de 0,42% no Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acima das projeções de +0,35%. Além disso, as dúvidas sobre os próximos passos da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) seguem no radar.

O head de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, observas que as falas do presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, dizendo que não vê problemas em reverter o curso dos juros e retomar as altas contribuíram para o fortalecimento da divisa estadunidense.

O resultado do IPCA não altera os cortes de 0,5 ponto percentual (pp) nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), mas sim a taxa terminal, observa Weigt, pontuando que o dólar tende a ganhar força antes do feriado de Carnaval, com os investidores buscando por proteção durante os dias nos quais a Bolsa não irá operar.

Para o economista-chefe da Nova Futura, Nicolas Borsoi, “parece uma indigestão com o IPCA. A composição foi muito ruim, especialmente o núcleo de Serviços, e a contaminação em Alimentos”.

“Desperta uma preocupação, já que ninguém contava com uma aceleração em Serviços”, explica, Borsoi.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecham em alta, refletindo dados de inflação acima do esperado. Hoje de manhã, ainda, o presidente Lula voltou a criticar a preocupação do mercado com o fiscal. Os Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) impulsionam as taxas já que operam em alta por conta dos discursos hawkish dos integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), ontem, além dos dados sobre seguro desemprego nos Estados Unidos – ainda que tenho vindo em linha com o esperado pelo mercado – a economia segue aquecida.

O DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 9,955% de 10,000% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 9,780% de 9,675%, o DI para janeiro de 2027 ia a 9,945%, de 9,840%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 10,195% de 10,095% na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão desta quinta-feira em alta, impulsionados pela temporada de resultados corporativos e pela contínua valorização das ações de tecnologia. O índice S&P 500 permaneceu próximo de alcançar a marca histórica de 5 mil pontos.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices futuros de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,13%, 38.726,20 pontos
Nasdaq 100: +0,24%, 15.793,7 pontos
S&P 500: +0,05%, 4.997,97 pontos

Com Paulo Holland, Camila Brunelli e Larissa Bernardes / Agência CMA