Bolsa fecha em queda em dia fraco, com recuo de Vale e alta de small caps; dólar sobe

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São Paulo -A Bolsa fechou em leve queda, chegou a tocar a região dos 127 mil pontos, mas conseguiu encerrar no patamar dos 128 mil pts, em dia de agenda mais fraca por aqui e alguns eventos pontuais do corporativo. As commodities caíram, com destaque para a Vale (VALE3) e as Small Caps subiram. O Indice Small Cap avançou 0,82%.

Os investidores ficam na expectativa para o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, de amanhã (6) e dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos

A Vale (ON, -1,31%), Petrobras (ON, -0,60% e PN, -0,29%). A B3 (ON, -0,89%) cai praticamente em todo o pregão por conta da notícia, que saiu na semana passada, sobre abertura de uma Bolsa para ser sua concorrente e com o baixo volume reflete na ação. No ano já caiu 15%.

Na ponta positiva, Cogna (ON, +5,81%). A XP alterou sua recomendação para Cogna de neutra para compra, com preço-alvo acima dos R$ 4. O mercado também fica na expectativa do balanço do 4T2023 para dia 20.

Em relação ao setor aéreo, Azul (PN, +3,86%) e Gol (ON, + 2,77%). A Azul avalia uma possível oferta pela compra da Gol, algo que vem sendo especulado pelo mercado, mas precisaria da aprovação do CADE para essa transação, disse Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital.

O principal índice da B3 caiu 0,18%, aos 128.098,11 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em abril perdeu 0,15%, aos 129.605 pontos. O giro financeiro foi de R$ 20,4 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam em queda.

Carlos André Marinho Vieira, analista-chefe do TC, disse que a bolsa operou estável.

“O destaque ficou para a queda da Vale resultado de um relatório do BTG, que rebaixou a empresa de compra para neutra considerando perspectivas mais negativas para o crescimento da China”.

O head de renda variável e sócio da A7 Capital disse que com a agenda bem vazia, o Ibovespa tem movimento lateral durante toda a sessão.

“Sem grandes eventos ou indicadores ocorrendo no dia, o Ibovespa segue lateral, mesmo com ações ligadas a commodities em queda seguindo o cenário no exterior, com o recuo do petróleo e commodities metálicas”.

Lucca Ramos, assessor de renda variável da One Investimentos, disse que a Bolsa está melhorando com as ações de Small Caps e refletindo o dado econômico nos Estados Unidos.

“No início dos negócios, a notícia da China sobre o plano de crescimento de 5% do país para 2024 pesou um pouco no Ibovespa, mas a boa performance do Indice Small Caps ajuda no fechamento da curva de juros futuros e beneficia o Indice. As Small Caps têm desempenho melhor que a Bolsa. O PMI de serviços de fevereiro nos Estados Unidos-52,3 pontos contra previsão de 52,5 pts- também impulsionou na alta do Indice, mostrando que a atividade por lá está mais fraca. O foco do mercado fica para o payroll na sexta-feira (8)”.

Em relação à queda da Vale (VALE3), Ramos disse que “pesa na ação as notícias da China e o rebaixamento pelo BTG do papel de compra para neutro e o preço-alvo passou de US$ 19 (R$ 95) para US$ 16 (R$80)”, disse assessor de renda variável da One Investimentos

Os papéis de Vibra Energia (ON, -5,49%) recuavam após o resultado no 4T23, divulgado ontem depois do fechamento. Apesar do lucro líquido reportado de R$ 3,3 bilhões, seis vezes maior que em 2022, teve redução do market share (participação de mercado), pesando no papel.

O dólar comercial fechou em alta de 0,16%, cotado a R$ 4,9550. A moeda refletiu, ao longo da sessão, o clima de cautela com os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos.

Segundo o sócio da Ethimos Investimentos Lucas Brigato, o baixo volume de hoje reflete o clima de espera no mercado.

Para a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, “a liquidez mais fraca de hoje é influenciada pelos eventos desta semana. Os investidores estão em ‘banho maria’. Sem grandes novidades”.

“Não fosse o fluxo forte, dólar poderia estar mais próximos dos R$ 5,00″, avalia Abdelmalack.

O sócio da Genial Investimentos José Marcio Camargo entende que o mercado que está aguardando as informações vindas dos Estados Unidos: Ao longo da semana, serão divulgados os dados da geração de empregos no setor privado (ADP), o número total de postos de trabalho gerados no país (JOLTS), produtividade do trabalho, custo unitário do trabalho (CUT), criação líquida de vagas (payroll), taxa de desemprego e ganho médio por hora trabalhada”.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) seguem em queda, seguindo os movimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano), e refletindo as falas de Campos Neto de que a inflação brasileira segue em trajetória de queda.

O DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 9,880%, de 9,920% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 9,670% de 9,725%, o DI para janeiro de 2027 ia a 9,870%, de 9,936%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 10,130% de 10,180% na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo negativo, caindo mais de 1%, se afastando ainda mais das máximas históricas à medida que a incerteza sobre cortes nas taxas de juros e uma reorganização das bigtechs trouxeram um tom de cautela ao mercado.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: -1,04%, 38.585,19 pontos
Nasdaq 100: -1,65%, 15.939,6 pontos
S&P 500: -1,01%, 5.078,65 pontos

 

Com Paulo Holland, Camila Brunelli e Darlan de Azevedo / Agência CMA