Bolsa fecha em forte queda e dólar em alta diante de crise política

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São Paulo – A Bolsa fecha em queda de 3,78%, aos 113.412,84 pontos, perdendo mais de 4 mil pontos na sessão de hoje e não atingia a marca dos 113 mil pontos desde março. Em dia de forte aversão ao risco, os investidores ficaram temerosos com a dificuldade de tramitação de reformas no Congresso e, principalmente, com o impasse para resolver os precatórios com o Supremo Tribunal Federal (STF), após o discurso do presidente Jair Bolsonaro da véspera atacando as instituições.

As ações com maior peso no índice tiveram forte queda, como os papéis do Bradesco, Itaú, Vale e Petrobras.

Para Luiz Henrique Wickert, analista sênior da sim;paul plataforma de investimentos, o estresse do mercado se acentuou porque as negociações sobre precatórios ficam comprometidas após as manifestações da véspera e do ataque do presidente Jair Bolsonaro à Corte. “Haverá dificuldade de resolver via STF a questão dos precatórios. Além da crise política, o mercado tem de conviver com a crise fiscal que se agrava com a ameaça de romper o teto de gastos.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) se  pronunciaram sobre a manifestação e discurso do presidente Jair Bolsonaro. Fux disse que “ninguém fechará a Corte, nós a manteremos de pé com suor, força e coragem” e que o desrespeito à decisão da Justiça é considerado crime de responsabilidade. Lira defendeu as urnas

eletrônicas e afirmou que a Casa pode ter um papel de pacificação entre os poderes.

Thiago Loiola, sócio-diretor do Prosperidade Investimentos, comentou que os conflitos internos e a queda dos mercados internacionais favorecem o mau humor na B3. “Hoje é um dia de risk off onde todas as bolsas do mundo estão realizando e no Brasil não seria diferente com esse cenário desafiador “.

Loiola não acredita que houve mudanças  na postura do presidente Jair Bolsonaro em relação aos últimos dias sobre as críticas ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes. “A preocupação seria se os comentários fossem mais conflituosos e hostis. Para o mercado financeiro a novidade seria se ele fosse mais direto em suas ações”.

O sócio-diretor do Prosperidade Investimentos disse que  as reformas seguem no radar do mercado. “O que faz preço é a votação dos próximos dias no Congresso”. Mas ressaltou que o investidor mantém cautela .”O investidor estrangeiro está perdendo confiança em tudo que temos de fazer aqui no Brasil para colocar a economia nos trilhos e começa a vender pesado suas posições”.

O presidente do STF fará um “discurso mais brando” na sessão de hoje na Corte e Loiola não enxerga uma possibilidade de impeachment para o presidente Jair Bolsonaro.

O dólar comercial fechou em R$ 5,3250, com alta de 2,87%. A sessão foi marcada pela tensão gerada com as falas do presidente Jair Bolsonaro, na terça, incitando a desobediência e aumentando ainda mais a crise entre os poderes, impactando diretamente o câmbio.

De acordo com a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, “o cenário em ebulição atrapalha as perspectivas econômicas. Vivemos um processo de desvalorização ativos domésticos e do câmbio”.

Para a economista, a desvalorização no câmbio só não é maior devido ao aumento da taxa básica de juros pelo Banco Central, auxiliando na entrada de capital estrangeiro.

Já o CEO da Top Gain, Alison Correia, acredita que “embora ainda não tenha ocorrido, existe um sentimento de ruptura ainda maior entre os poderes, dado ao fato de Bolsonaro ter ameaçado que irá descumprir as ordens do ministro Alexandre de Moraes”. Correia também acredita que esta postura iniba os investidores, que possuem medo do que possa acontecer em um curto espaço de tempo.

Segundo o head de análise macroeconômica da Green Bay Investimentos, Flávio Serrano, “a dinâmica do mercado reflete a situação de ontem, e isso deve reforçar a a tensão política nos próximos meses”.

Serrano vê um cenário interno desfavorável: “A bolsa está sofrendo mais e o dólar segue subindo forte. Os ruídos político e fiscal refletem diretamente na moeda. O câmbio poderia estar abaixo dos R$ 5,00”, pontua.

Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, “é difícil separar o que é crise aqui e o que são questões externas. Provavelmente o real vai perder”. Perfeito também ressalta que o dólar deve se valorizar ante à maioria das moedas emergentes.

Bolsonaro criticou novamente, nesta terça-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, alegando que não cumprirá “qualquer decisão” proferida pelo ministro, aumentando a tensão política doméstica.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) tiveram uma piora e passaram a subir com mais força no final da sessão regular, isso aconteceu após o discurso do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que citou até como crime de responsabilidade as falas do presidente Jair Bolsonaro durante as manifestações de ontem. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, fez um discurso apaziguador e falou sobre conversa entre poderes.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 6,96%, de 6,875% no ajuste de segunda-feira; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,785%, de 8,635%; o DI para janeiro de 2025 ia a 10,06%, de 9,80% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 10,54%, de 10,27%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo negativo com os investidores temerários de que a desaceleração econômica vista em boa parte do mundo atrapalhe a recuperação até o fim do ano.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,20%, 35.031,07 pontos

Nasdaq Composto: -0,57%, 15.286,6 pontos

S&P 500: -0,13%, 4.514,07 pontos