Bolsa fecha em baixa de 1% com peso das blue chips; dólar cai

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São Paulo – A Bolsa fechou em queda, voltou à marca dos 125 mil pontos, em um dia de aversão ao risco pressionada por Petrobras (PETR 3 e PETR4), Vale (VALE3) e do setor financeiro, ações de maior peso no índice.

A estatal petroleira refletiu o forte recuo do petróleo após a redução dos estoques da commodity nos Estados Unidos. Os papéis mais cíclicos tiveram uma performance positiva.

Os estoques de petróleo caíram 4,6 milhões de barris para 445,0 milhões na semana encerrada na última sexta-feira (01), mais que o esperado pelos analistas que previam queda de 1,0 milhão de barris.

As ações da Vale (VALE3) caíram 0,65% e da Petrobras (PETR 3 e PETR4) perderam 2,37% e 3,59%. Setor financeiro recuou em bloco, com destaque para Banco do Brasil (BBAS3) que perdeu 2,14%.

Os papéis da BRF(BRFS3) lideraram a queda no Ibovespa com 4,34%, após o JP Morgan ter rebaixado a recomendação das ações de compra para neutra.

Mais cedo, nos Estados Unidos, foi divulgado o relatório ADP que mostrou desaceleração na abertura de vagas, mas o resultado não impulsionou a Bolsa. O setor privado criou 103 mil vagas de trabalho em novembro contra estimativa de 128 mil postos. Em outubro, o número foi revisado para 106 mil. O mercado fica à espera do payroll, na sexta-feira (01).

O principal índice da B3 caiu 1,00%, aos 125.622,65 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro recuou 0,99%, aos 125.860 pontos. O giro financeiro era de R$ 22,7 bilhões. Em Nova York, os índices fecharam em queda.

Bruna Sene, analista da Nova Futura Investimentos, disse que a queda do Ibovespa é explicada pelas ações de peso relevante no índice.

“A Petrobras cai com a forte queda do petróleo por conta do recuo nos estoques da commodity nos EUA [de 4,6 milhões de barris para 445,0 milhões] e novas pressões por parte da ala política para reajuste dos combustíveis também pesam, bancos caem em movimento de realização e a Vale reverteu a alta, já na ponta positiva estão as ações de consumo, aéreas-com possibilidade que queda de combustível-, comunicação, Weg que divulgou hoje dados de investimentos, materiais básicos, algumas elétricas”.

A analista da Nova Futura Investimentos disse que a alta expressiva do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) se dá “em cima de rumores no mercado de que a companhia teria recebido uma proposta para virar uma corporation, sem controle definido, mas o diretor-presidente da companhia disse que a informação não procede”. As ações subiram 3,91%

Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, disse que apesar do bom desempenho do mercado exterior, no ambiente doméstico Petrobras e setor financeiro atrapalham a performance da Bolsa.

“Os pesos-pesados no Ibovespa, como Petrobras e bancos, estão pressionando o índice, apesar de não ver um desempenho ruim, as small caps sobem com contínua devolução de prêmio da curva de juros; nos Estados Unidos, as bolsas operam em alta impulsionadas pelo relatório ADP. Da mesma forma que o Jolts [divulgado ontem], que veio abaixo do esperado, fomenta bastante a expectativa dos pedidos de seguro-desemprego amanhã (7) e, principalmente o payroll [na sexta-feira] que tem de ser abaixo das estimativas. Isso fortalece que o ciclo de aperto monetário nos EUA já podemos precificar queda dos juros lá e ajuda o corte da Selic aqui”.

Spiess acrescentou que enquanto o fiscal não avança, o mercado reage a vetores mais macro globais.

“O mercado está de olho na MP da subvenção, que é uma pauta importantíssima, e não sabemos o que vai sair da comissão”.

O dólar comercial fechou em queda de 0,47%, cotado a R$ 4,9015. A moeda refletiu, ao longo da sessão, o otimismo com os dados do mercado de trabalho norte-americano que foram divulgados nesta manhã, mostrando novos sinais de que a economia estadunidense está desacelerando.

O Relatório ADP, divulgado na manhã de hoje, apontou a criação de 103 mil vagas de trabalho em novembro, nos Estados Unidos. Analistas previam 128 mil vagas criadas.

Segundo o sócio da Ethimos Investimentos Lucas Brigato, os sinais contracionistas emitidos pela economia norte-americana fazem com que o dólar perca força e aumentam as apostas para que o Fed antecipe o início do corte na taxa básica de juros estadunidense.

Para a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, o resultado do ADP melhora o ambiente para os ativos de risco: “O mercado já tinha consolidado esta expectativa de enfraquecimento da atividade econômica. A curva de juros já vinha embutindo cortes das Fed funds já na virada primeiro para o segundo trimestre de 2024 para encerrar o ano entre 4,0% e ,25%”.

Abdelmalack, contudo, diz que o mercado aguarda a divulgação do payroll, um dos principais termômetros do emprego nos Estados Unidos, para consolidar este cenário de arrefecimento no mercado de trabalho estadunidense.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecham em queda, agora acompanhando Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano), que reagem à criação de criação de 103 mil vagas de trabalho em novembro nos Estados Unidos, segundo divulgado pela Automatic Data Processing (ADP) e pela Macroeconomic Advisers.

Por volta das 16h35 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2024 tinha taxa de 11,828% de 11,828% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 projetava taxa de 10,374 % de 10,380%, o DI para janeiro de 2026 ia a 10,047%, de 10,050%, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 10,085% de 10,075% na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar operava em queda, cotado a R$ 4,9020 para a venda.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em queda, à medida que investidores avaliavam dados indicando queda na inflação e aguardavam o próximo relatório de empregos.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: -0,19%, 36.054,43 pontos
Nasdaq 100: -0,58%, 14.146,7 pontos
S&P 500: -0,39%, 4.549,34 pontos

Com Paulo Holland, Camila Brunelli e Darlan de Azevedo / Agência CMA

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