Bolsa fecha em alta pelo segundo dia seguido com bancos e setor de consumo; dólar cai

São Paulo- A Bolsa fechou em alta, pelo segundo dia seguido, impulsionada pelo setor bancário, varejistas e de consumo. Somado a isso a melhora das bolsas norte-americanas também acabaram influenciando o índice na reta final dos negócios. Apesar de ter subido, o Ibovespa chegou a operar com muita volatilidade.

As empresas ligadas ao minério de ferro apresentaram expressiva queda, como Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) impactadas pela desvalorização da commodity com o lockdown na China. A inflação global também segue no radar dos investidores.

O principal índice da B3 subiu 1,23%, aos 105.687,64 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em junho aumentou 1,22%, aos 106.860 pontos. O giro financeiro foi de R$ 28,7 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam mistas.

Armstrong Hashimoto, sócio e operador de renda variável da Venice Investimentos, disse que o que está segurando a alta do índice é o setor bancário. “O Banco do Brasil apresentou um resultado bem forte e fazia tempo que não destoava dos bancos tradicionais como Itaú e Bradesco, as demais ações estão sofrendo realização”. O BB anunciou um dividendo e no final do mês vai ficar ex. “Existia uma preocupação com inadimplência e provisão, mas ficaram dentro das expectativas e o mercado deu mais peso para o lucro, que veio acima das previsões”.

Com o dado positivo de serviços-subiu 1,17% em março-, as ações de varejo, consumo e construção civil -empresas que normalmente sofrem com a alta de juros- acabaram se ajustando na sessão de hoje, comentou Hashimoto.

João Negrão, assessor de investimentos da SVN, comentou que os dados de inflação ao produtor (PPI, sigla em inglês) mais positivo nos Estados Unidos-avançou 0,5% em março. “O PPI veio melhor e pode ser um indicador de que a inflação pode estar voltando sem precisar de um movimento tão brusco, ou seja, de que o Fed regresse ao plano original de aumento dos juros em 0,50 ponto porcentual (pp) e não mais agressivo de 0,75 pp”.

Negrão comentou que o resultado de serviços aqui e boa performance dos bancos ajudam à alta do índice. “O setor de serviço registou o melhor resultado para maio desde 2015, ações do setor de varejo e consumo passaram a subir e, somado a isso, o bom desempenho do setor financeiro também favorece o índice”. O Banco do Brasil (BBSA3) reportou um balanço muito forte “e trouxe muita confiança para o setor; os bancos têm conseguido suportar as quedas recentes do índice”. O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de R$ 6,6 bilhões no 1T22, um crescimento de 34,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em contrapartida, disse o assessor da SVN, a preocupação fica com as incertezas quanto à China. “A parte da China ainda é muito temerária por causa da falta de flexibilização em relação à covid-19 e impacta no minério de ferro trazendo o setor para baixo”.

A fala do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, afirmando que pedirá estudos sobre privatização da Petrobras chegou a impactar as ações da empresa. Os papéis operavam com volatilidade, mas acabaram fechando em alta.

O dólar comercial fechou em queda de 0,07%, cotado a R$ 5,1410. A moeda oscilou durante toda a sessão, mas ao final o real conseguiu esboçar uma leve correção.

De acordo com o head de análise macroeconômica da GreenBay Investimentos, Flávio Serrano, “nada marcante está acontecendo hoje. No comparativo com outros dias, a oscilação está modesta, e a meu ver é mais uma correção técnica. Os fundamentos técnicos do real ainda são positivos”.

Segundo o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, “isso se deve ao cenário de ciclo de forte aversão ao risco em curto prazo. Enquanto tudo estiver em aberto, o clima é de cautela”.

Vieira entende que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) está com receio de falar em verbalizar um aumento mais agressivo nos juros, e que isso aumenta o receio do investidor, além de reforçar o cenário instável do câmbio.

Para a economista e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, “embora as apostas de ajuste de 0,75% na próxima reunião do Fed, em junho, tenham diminuído, a expectativa é de aperto monetário mais rápido por lá e isso acaba desfavorecendo as moedas emergentes”.

Quartaroli também observa que o ritmo de crescimento global continua no radar, e que isso gera volatilidade no mercado.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam em alta com temores inflacionários no radar.

O DI para janeiro de 2023 tinha taxa de 13,400% de 13,330% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2024 projetava taxa de 13,160%, de 13,045%, o DI para janeiro de 2025 ia a 12,520%, de 12,445% antes, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 12,360% de 12,305%, na mesma comparação.

Os principais índices de ações fecharam a sessão em campo misto, num pregão de alta volatilidade, à medida que os temores com a inflação continuam a deixar os investidores pessimistas sobre a atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em contê-la.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: -0,33%, 31.730,30 pontos
Nasdaq Composto: +0,06%, 11.371,0 pontos
S&P 500: -0,12%, 3.930,08 pontos