Bolsa fecha em alta impulsionada por commodities; dólar avança

São Paulo- A Bolsa fechou em alta de 1,49%, aos 103.653,82 pontos, sustentada pelas empresas ligadas às commodities como Petrobras, Vale e siderúrgicas devido à alta do petróleo e a valorização do minério de ferro na China com a expectativa de elevação da produção da commodity no país asiático.

Os papéis da Petrobras subiram com a alta do petróleo apesar da liberação de reservas da commodity pelos Estados Unidos.

As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançaram 4,70% e 5,46%. Os papéis da Vale (VALE3) aumentaram 2,63% e Usiminas (USIM5) ganharam 4,75%. Os bancos subiram em bloco.

Apesar de encerrar os negócios em alta, a Bolsa teve bastante volatilidade entre altas e baixas e chegou a atingiu a mínima no interdiário de 101.736,31 com o exterior negativo e falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência na Câmara para explicar sobre sua empresa offshore.

O ministro também disse que não foi decisão da equipe econômica em promover a alteração da regra de correção do teto gastos. Se não cedesse ao Congresso, teria de deixar o cargo e acabou estressando o mercado.

Os investidores mantiveram monitorando os próximos desfechos em relação à PEC dos precatórios.

Lucas Cintra, especialista da Valor Investimentos, disse que a alta na segunda metade do pregão foi “um movimento de recuo das quedas de ações ao longo do dia”, mas ressaltou que as ações de commodities são as responsáveis pela boa performance do Ibovespa.

Cintra afirmou que “mesmo quando o índice apresentou queda, esses papéis mantiveram firmes em alta”. A expectativa de que a China tenha uma recuperação industrial e de infraestrutura no início do ano que vem, sendo o país asiático um forte parceiro comercial do Brasil, impulsiona as commodities.

Lucas Mastrominico, operador de renda variável da B.Side Investimentos, afirmou que as commodities estavam conseguindo segurar o Ibovespa para cima, “mascarando um pouco do que está acontecendo no Brasil com a crise da PEC dos precatórios”. Ele comentou que “a virada no índice é atribuída a piora no exterior e fala de Guedes na Câmara”.

Mastrominico afirmou que o mercado quer uma decisão em relação à PEC dos precatórios, “o investidor está muito apreensivo com toda a incerteza em relação à PEC e a resistência que sofre, tanto que outros papéis do índice como varejo e bancos estão de lado”. Mastrominico acredita que a questão da PEC dos precatórios é “como ela vai passar, se haverá caixinhas de maldades incluindo tudo ou não”. Outro ponto de preocupação do mercado é a inflação nos Estados Unidos. “Mexeram no preço do petróleo para controlar a inflação porque não querem subir os juros e isso deixa o investidor apreensivo”.

O dólar comercial fechou em R$ 5,6080, com alta de 0,25%. Mesmo perdendo fôlego no final, a moeda norte-americana mostrou grande força durante toda a sessão, embalada pela aparente recuperação econômica dos Estados Unidos e as já habituais incertezas fiscais no Brasil.

Para o analista da Levante Investimentos, Enrico Cozzolino, “o petróleo valorizado impacta diretamente no dólar, além de mostrar um sinal de retomada econômica dos países desenvolvidos, capitaneados pelos Estados Unidos. A inflação que estas economias apresentam é ligada a este movimento de recuperação, o que torna mais fácil de controlá-las”.

Já no aspecto interno, Cozzolino acredita que a situação política e econômica não permite um cenário favorável ao real: “Isso aumenta o risco país, aumentando a insegurança fiscal”, observa.

De acordo com o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, “as moedas emergentes estão recuando e o real indo na esteira”. Ele faz menção especial à lira turca, que voltou a ter forte depreciação e gera temor com uma crise futura.

Rostagno acredita que a continuidade do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, afasta as incertezas sobre uma postura mais dovish (menos propensa ao aumento de juros) da diretora do Fed, Lael Brainard, que era cotada para substituir o atual presidente, mas pondera: “Embora exista uma pressão da ala hawkish (mais propensa ao aumento de juros) para o aumento dos juros, isso não deve ocorrer antes do segundo trimestre do próximo ano”, pontua.

No cenário doméstico, o Indice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que subiu 0,96% na terceira quadrissemana de novembro, também aumenta as expectativas pelo Indice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que será divulgado na próxima semana: “Isso pode apontar para um aumento maior da Selic (taxa básica de juros) maior do que o previsto”, opina Rostagno.

Para o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, “lá fora está bem dividido, com as moedas emergentes sem um rumo claro, o que impacta aqui”.

Vieira, porém, não acredita que o Fed irá aumentar os juros tão cedo: “Não acho que este aumento de juros irá ocorrer antes do final do próximo ano, mesmo com o Powell ouvindo mais os outros membros do que antes”, pontua.

Já no âmbito doméstico, Vieira acredita que o mercado está em compasso de espera com a PEC dos Precatórios, mas que agora ela dá sinais positivos: “Passar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é bem visto pois pode destravar a pauta e parar de gerar incertezas”, analisa.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) abriram o dia como fecharam ontem, em forte alta, mas passaram a operar em queda após o governo encaminhar uma nova versão da PEC dos Precatórios para as principais bancadas do Senado, contendo seis alterações em relação ao texto aprovado na Câmara dos Deputados.

O DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 8,680% de 8,644% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 12,250%, de 12,330%; o DI para janeiro de 2025 ia a 11,930%, de 12,170% antes, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 11,760% de 12,010%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo misto, com o Nasdaq perdendo 0,5% à medida que as taxas de juros mais altas pareciam pressionar as ações de tecnologia, mas bancos e setores industriais subiram em mais um dia de mercado dividido nesta terça-feira.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,55%, 35.813,80pontos

Nasdaq Composto: -0,50%, 15.775,1 pontos

S&P 500: +0,16%, 4.690,70 pontos