Bolsa fecha em alta após ata do Copom, Petrobras limita ganhos; dólar recua

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São Paulo- A Bolsa fechou em alta refletindo uma comunicação melhor na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada mais cedo em meio aos papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) limitando os ganhos.

O mercado fica à espera amanhã (15) dos dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos. Os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) caíram 2,74% e 1,80%, refletindo o balanço e dividendos aos acionistas.

O resultado da estatal, divulgado ontem após o fechamento, abaixo do esperado- lucro líquido foi de R$ 23,7 bilhões, queda de 37,9% abaixo do esperado; a empresa divulgou pagamento de dividendos e JCP no valor de R$ 13,45 bilhões.

Os destaques positivos ficaram para Hapvida (HAPV3)-alta de 10,42% e Embraer (EMBR3)-ganho de 7,64%. A operadora de saúde refletiu o lucro acima das estimativas no 1T24, com maiores margens puxadas pela queda na sinistralidade.

Já Embraer avançou um dia após sinalização de compra por um grande banco de investimentos brasileiro. Na ponta negativa, Natura (NTCO3) liderou as perdas de 9,42%.

O principal índice da B3 subiu 0,28%, aos 128.515,49 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em junho registrou ganho de 0,15%, aos 129.510 pontos. O giro financeiro era de R$ 23,5 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam no positivo.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos, disse que o Ibovespa subiu com a ata do Copom, divulgada mais cedo, mais clara.

“A ata trouxe uma visão melhor do que a primeira impressão causada pelo comunicado, com menor divergência entre os membros e evidenciando a argumentação técnica da ala que defendeu o corte de 0,5 p.p. da Selic. Isto deu amparo para o Ibovespa manter a alta, apesar da pressão causada pelas perdas das ações da Petrobras e o desempenho frágil dos pares de Wall Street [subiram mais perto do fechamento], onde o PPI avançou ligeiramente acima do esperado, mas no fim teve leitura mista, inclusive pelo presidente do Fed”.

Felipe Pohen de Castro, sócio da Matriz Capital, disse que o Ibovespa opera próximo à estabilidade refletindo a ata do Copom.

“O documento mostrou um compromisso dos diretores com a manutenção do ciclo de redução da taxa básica de juros em uma tentativa de conciliar o combate à inflação. Os analistas da Ativa Investimentos disseram que o Ibovespa sobe timidamente após ata do Copom e à espera dos dados de inflação norte americana [amanhã, 15, sai o índice de preços ao consumidor -CPI, sigla em inglês]”.

Thiago Lourenço, operador de renda variável da Manchester Investimentos, disse que a Bolsa sobe em meio a vários eventos hoje, como a ata do Copom resultado Petrobras e inflação nos Estados Unidos.

“O saldo é positivo para o mercado hoje. A ata foi positiva pelo menos o mercado não estressou. Foi bom para entender um pouco da divergência que tiveram [os membros] na votação [5 votaram para corte de 0,25 p.p e 4 para redução de 0,50 p.p.]. Ficou claro que eles eram unânimes quanto ao cenário macro, como inflação, mas ficou a dúvida se eles deveriam ir contra o guidance, como já tinham vendido em reunião anteriores de corte de 0,50p.p. Em relação ao balanço da Petrobras, alguns dados surpreenderam negativamente, principalmente o ebitda com queda de 17%, para R$ 60 bilhões e consenso do mercado era de R$ 67 bi, mas foi um resultado robusto. É possível que com o histórico o papel continue subindo. Essa queda é compensada pelos resultados fortes da holding do Itaú [Itaúsa], e do BTG. B3 e Embraer tambéma ajudam a alta da Bolsa. O PPI veio um pouquinho acima, mas o núcleo estável, nada muito surpreendendo, tanto que as treasuries estão tranquilas. As falas do Powell vieram em linha com diretores e o corte de juros deve ser no último trimestre desse ano”.

Nicolas Farto, sócio e head de renda variável da Vértiq Invest, disse que a ata veio mais dura e amenizou a questão da divergência entre os membros.

“O texto ficou mais hawkish e isso era de se imaginar uma vez que o corte veio menor. Em relação à divergência parece que colocam um pouco de panos quentes no clima, quiseram dizer que queriam manter o guidance. Se mudar o guidance poderia trazer riscos à credibilidade do Copom. Enquanto os que queriam corte menor, sinalizaram que o guidance estava condicionado a algumas variáveis que acabaram não acontecendo. Aquele racha que a gente pensou que pudesse ter poderia ser mais amenizado no dia de hoje. É cedo ainda dizer que o BC vai manter a mesma postura com a saída do RCN e demais membros. Pelo menos esses atuais integrantes têm um compromisso maior com a expansão da atividade econômica”.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, disse que a ata será bem recebida “pela maioria do mercado, pois evidencia o compromisso dos diretores em controlar a inflação e sinaliza uma possível necessidade de interromper o ciclo de queda de juros. O documento procura mitigar as divergências entre diretores, atribuindo considerável peso às questões relacionadas ao guidance e à promessa feita em reuniões anteriores, na qual se comprometeram com um aumento de 0,50 ponto porcentual (pp), o que, caso não cumprido, poderia afetar a reputação do Banco Central, como de fato ocorreu”.

O dólar comercial fechou em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,1302. A moeda refletiu, ao longo da sessão, certo otimismo do mercado após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no começo desta manhã.

Para o analista da Potenza Capital Bruno Komura, a ata foi bem recebida pelo mercado e ajudou a acalmar os ânimos: “O mercado espera pela fala do (presidente do Fed) Jerome Powell, hoje, e índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), amanhã”, explica.

Komura explica que os votantes que optaram pelo corte de 0,5 ponto percentual (pp) na Selic (taxa básica de juros) usaram como argumento a manutenção da credibilidade do Banco Central (BC) que já havia se comprometido com o corte de 05 pp na última reunião.

De acordo com o economista da MoneyYou Drops Jason Vieira, o comitê sublinhou a importância de manter o guidance para não perder a credibilidade. Vieira observa, contudo, que a ata não demonstrou preocupação com o fiscal doméstico, mesmo com a divergência nas votações.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecham majoritariamente em queda, refletindo divulgação da ata referente à última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que trouxe várias advertências sobre a necessidade do colegiado de manter uma política monetária contracionista para conter a inflação.

Por volta das 15h40 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 10,335%, de 10,310% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 10,560% de 10,575%, o DI para janeiro de 2027 ia a 10,905%, de 10,950%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 11,190% de 11,265 na mesma comparação.

Os principais índices de ações do mercado dos Estados Unidos fecharam em alta, enquanto os investidores aguardam ansiosamente os dados de preços ao consumidor previstos para amanhã e também avaliam os comentários do presidente Joe Biden sobre novas tarifas à China.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,32%, 39.557,45 pontos
Nasdaq 100: +0,75%, 16.511,18 pontos
S&P 500: +0,48%, 5.246,57 pontos