Bolsa e dólar sobem com ações de bancos e cautela na política

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Foto: Krzysztof Baranski/ freeimages.com

São Paulo – Após operar em queda no início da manhã, o Ibovespa encerrou o primeiro pregão do mês em alta de 1,39%, aos 88.620,10 pontos, impulsionado principalmente por ações de bancos, já que o receio de maior tributação sobre o setor foi afastado. O índice também acompanhou a melhora das Bolsas norte-americanas, que fecharam em leve alta refletindo a reabertura da economia, mesmo depois dos protestos do final de semana e de tensões com a China.

“A questão de tributação sobre bancos esfriou, parece que vai ser difícil do projeto passar no Senado, o que deu uma animada no setor”, disse o analista da Necton Corretora, Gabriel Machado.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou na última sexta-feira que considera difícil qualquer tipo de aumento na carga tributária para bancos para compensar a queda de receita pública por causa da pandemia de covid-19, o que ajudou ações como as do Itaú Unibanco (ITUB4 2,78%) e do Bradesco (BBDC4 4,48%). Há projetos de lei em andamento que preveem a elevação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a limitação de taxas de juros sobre cartões, o que chegou a penalizar os papéis há algumas semanas.

As maiores altas do índice, por sua vez, foram das ações da Gol (GOLL4 8,56%), da Via Varejo (VVAR3 8,30%) e da Multiplan (MULT3 7,68%). O setor de aviação segue se recuperando depois de ser um dos mais atingidos pela crise causada pelo coronavírus, assim como algumas ações ligadas ao varejo e de shoppings centers, que estão voltando a reabrir em alguns estados.

No exterior, as Bolsas norte-americanas também subiram depois de iniciarem o dia mais negativas com investidores mantendo o otimismo em meio a reabertura da economia e indicadores divulgados, apesar de protestos antirracistas terem se espalhado pelo país e da tensão com a China.

“A recuperação das bolsas dos Estados Unidos também ajudou na retomada aqui”, disse o analista da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi.

Amanhã, a agenda de indicadores estará mais esvaziada, o que deve fazer investidores continuarem de olho na reabertura de economias e na cena política, tanto local quanto nos Estados Unidos, diante de previsões de novos protestos.

No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em alta de 0,93%, cotado a R$ 5,3870 para venda, em sessão de forte volatilidade e intervenção do Banco Central (BC) após a moeda operar acima dos R$ 5,40. Descolada do exterior, a moeda local foi uma das que mais perdeu na sessão com correções técnicas após forte queda na semana passada, além do movimento de cautela em meio ao cenário político e com as tensões entre Estados Unidos e China.

“O dólar iniciou o mês exibindo forte volatilidade, operando em sinal negativo, acompanhando o movimento externo, e exibiu pressão por um movimento de saída de investidores estrangeiros do país”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.

Ele acrescenta que, após a moeda ultrapassar os R$ 5,40, o movimento trouxe o BC ao mercado com o intuito de “tentar conter” a forte alta da divisa. Foram realizados dois leilões de venda de dólares no mercado à vista, com a oferta mínima de US$ 1,0 bilhão, no qual US$ 530,0 milhões foram colocados na sessão.

Lá fora, investidores seguem atentos ao retorno das tensões entre os Estados Unidos e China, no qual o conflito entre as duas maiores economias do mundo continuam trazendo instabilidade aos mercados conforme “as rusgas” seguem, diz o consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello.

Amanhã, com a agenda de indicadores mais fraca, o movimento deverá ficar por conta de fluxo no mercado doméstico e de notícias locais e do exterior, diz Faganello.