Bolsa e dólar encerram dia volátil por CPI da pandemia e exterior

São Paulo – O Ibovespa começou o dia no território positivo, no final da manhã passou a operar com muita volatilidade entre perdas e ganhos e encerrou os negócios em ligeira alta. Os investidores ficaram atentos à CPI da pandemia, que será instalada amanhã (27), à espera de indicadores da semana e temporada de balanço corporativo no Brasil e no exterior.

O principal indicador de desempenho de ações negociadas na B3 fechou em alta de 0,05%, aos 120.594,61 pontos. O volume financeiro foi de R$ 22,6 bilhões.

Na avaliação de Antonio Ruiz Molina Montiel Jr, o sócio e diretor educacional da mesa proprietária Axia Investing, a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado somado à baixa liquidez na Bolsa provoca instabilidade. “Os fatores políticos internos pesam mais no índice hoje que a alta no exterior”, afirmou.

Da mesma forma, para o Matheus Lima, da Top Gain a volatilidade de hoje no mercado foi atribuída à CPI da pandemia. “As incertezas em relação à CPI da Covid-19 geram tensão no mercado e os investidores também estão atentos a tantos dados que serão divulgados na semana”, enfatiza.

A economista-chefe Simone Pasianotto, da Reag Investimentos, comentou que “meu maior receio é que a CPI seja mais um artifício político, de barganha do Legislativo para reforçar o presidencialismo de coalizão e que isso atrapalhe em vez de ajudar no ambiente de bolsa”.

Um dia antes da instauração da CPI da Covid-19, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse em audiência pública no Senado que vai publicar medidas que não sejam farmacológicas contra a Covid-19, como uso de máscaras e distanciamento social. Queiroga também citou a dificuldade do Brasil para vacinar a população devido à falta em insumos para a produção nacional dos imunizantes.

Para a economista, a alta ensaiada no início do pregão perdeu vigor devido à perda de energia do mercado de Nova York. “Os investidores estão segurando posição antes da divulgação de uma série de indicadores e eventos econômicos e monitorando a política local”, ressaltou.

O cenário corporativo mereceu atenção devido à temporada de balanço.  O destaque pela manhã ficou por conta das ações da Vale (VALE3) que subiram mais de 1,00% e fecharam com ligeira alta 0,50%. Hoje, será anunciado o resultado da Vale após o fechamento do mercado.

As ações da Hering (HGTX3) também se sobressaíram devido ao acordo fechado entre o Grupo Soma (SOMA3) que engloba diversas marcas do setor de moda, e a companhia. Os papéis da Hering -que representa entre 0,2% a 0,3% do Ibovespa-, que chegaram a subir mais de 30%, avançaram 26,54%.

O dólar comercial fechou em queda de 0,90% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4490 para venda, no menor valor de encerramento desde 24 de fevereiro, acompanhando o exterior mais positivo e o ambiente doméstico mais otimista com a possibilidade de volta das discussões da agenda de reformas, após o Orçamento de 2021 ser sancionado.

O chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, reforça que o cenário externo “está bem melhor”, o que tem favorecido o desempenho da maioria das moedas de países emergentes. “Lá fora, o ambiente está bem melhor, enquanto aqui, o ambiente deu uma refrescada após o Orçamento de 2021 ser sancionado”, comenta.

Ele acrescenta que as sinalizações dadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, de que as discussões em torno da agenda de reformas voltarão e que uma versão inicial do teto da reforma tributária deverá ser divulgada em 3 de maio, corroborou para o bom humor local.

“É um sinal de que o Centrão [partidos do Centro] está com vontade de aprovar alguma coisa. Com isso, fica o sentimento de que as coisas podem melhorar no ambiente doméstico”, destaca.

Amanhã, na agenda de indicadores, os destaques são o início da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), no qual a decisão sairá na quarta-feira e a prévia da inflação do país (IPCA-15), no qual deve subir 0,68% neste mês e desacelerar-se em relação ao resultado no mês passado, segundo o Termômetro CMA.

Para Nagem, mesmo que o resultado do IPCA-15 fique acima do esperado, isso não deverá mudar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que já contratou uma alta de 0,75 ponto percentual da taxa Selic na semana que vem.  “Não há motivos para surpresa por parte do Banco Central. O negócio é subir juros gradativamente”, avalia, acrescentando que esta “tem tudo” para ser uma “semana nervosa” por aqui por ser fim de mês.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam mistas, registrando leves oscilações em um dia no qual as projeções do relatório semanal Focus, do Banco Central, mostraram alguma piora nos principais indicadores econômicos para o fim deste ano, estimulando um viés de alta mantido ao longo de quase todo o dia e aliviado somente nos minutos finais da sessão. No trecho longo, alguns vértices ensaiaram leve queda na tentativa de acompanhar o recuo da taxa de câmbio.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 4,630%, de 4,635% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,175%, de 6,200%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,69%, de 7,72% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,32%, de 8,36%, na mesma comparação.

O S&P 500 e o Nasdaq iniciaram em alta e renovando recordes uma semana marcada por balanços de algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, enquanto o Dow Jones encerrou o dia em queda, arrastado para baixo por Procter & Gamble, Walmart e Coca Cola.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,18%, 33.981,57 pontos

Nasdaq Composto: +0,87%, 14.138,80 pontos

S&P 500: +0,17%, 4.187,62 pontos