Banco do Japão amplia programa de compra de ativos por seis meses

O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda / Foto: Banco do Japão

São Paulo – O Banco do Japão (BoJ) ampliou a duração das compras adicionais de commercial papers e títulos corporativos em seis meses, até o final de setembro de 2021, citando os impactos da pandemia do novo coronavírus na economia japonesa.

O banco continuará realizando compras destes ativos com um limite superior de cerca de 20 trilhões de ienes no total. Além disso, vai destinar 15 trilhões de ienes para as compras adicionais de commercial papers e títulos de empresas, que serão distribuídos entre cada ativo dependendo das condições de mercado.

O BoJ também ampliou seu programa de empréstimos para apoiar o financiamento corporativo durante a pandemia em seis meses, até setembro de 2021 e, para estimular as instituições do setor financeiro privado a fazerem empréstimos, removerá o limite superior de fundos que fornece a cada contraparte elegível (ou seja, 100 bilhões de ienes) contra empréstimos que os bancos privados fazem por conta própria, que fazem parte dos empréstimos elegíveis no âmbito desta operação.

Além disso, o BoJ manteve a taxa de depósitos em -0,1% e a meta para juros de 10 anos em zero, em decisão aprovada por oito votos a favor e um contrário.

O limite de compras anuais de ETFs (fundo de índice, ou exchange-traded fund, em inglês) foi mantido em 12 trilhões de ienes, e o de compras anuais de fundos imobiliários com cotas negociáveis em bolsa foi mantido em 180 bilhões de ienes.

“A economia do Japão se recuperou, mas o ritmo de melhora deve ser apenas moderado enquanto a vigilância contra o novo coronavírus (covid-19) continua. Nessa situação, o financiamento, principalmente de empresas, deve permanecer sob pressão por enquanto”, diz o BoJ. Assim, o banco adotou novas medidas “com vista a continuar a apoiar o financiamento, principalmente de empresas”.

O BoJ disse ainda que, se for preciso, está pronto para ajustar seus instrumentos. “Dependendo do impacto futuro da covid-19, o banco considerará uma nova extensão do programa, se necessário”, diz.

“O banco monitorará de perto o impacto da covid-19 e não hesitará em adotar medidas adicionais de alívio, se necessário, e também espera que as taxas de juros de curto e longo prazo permaneçam nos níveis atuais ou mais baixos”.

Por fim, “dado que a atividade econômica e os preços devem permanecer sob pressão de baixa por um período prolongado devido ao impacto da covid-19, o banco realizará uma avaliação para mais alívio monetário efetivo e sustentável, com vistas a apoiar a economia e alcançar assim a meta de estabilidade de preços de 2%”.