Auxílio ambiental deve respeitar soberania, diz Bolsonaro

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Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro dedicou a maior parte de seu discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) a defender a política ambiental do Brasil e a criticar o que ele considera ser interferências desrespeitosas de outros países nesta área.

“Meu governo tem compromisso solene com preservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável em benefício do Brasil e do mundo. O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade e riquezas minerais. Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada”, disse ele.

O presidente ressaltou que nesta época do ano o clima seco e os ventos “favorecem queimadas espontâneas e também as criminosas”, e atribuiu à cultura de povos indígenas parte do aumento nas ocorrências de incêndio na região florestal.

Para Bolsonaro, o Brasil foi vítima de “ataques sensacionalistas” da imprensa internacional, que reportou o aumento nos focos de incêndio observado no país. Estes ataques, segundo o presidente, “despertaram o nosso sentimento patriótico.”

“É uma falácia dizer que Amazônia é patrimônio da humanidade. É equívoco afirmar que nossa floresta é o pulmão do mundo”, disse Bolsonaro, que fez referência à França, mas sem citar nominalmente o pais, afirmando que uma nação “embarcou nas mentiras da mídia” e agiu “de forma desrespeitosa e com espírito colonialista.”

Ele usou o mesmo termo para atacar o presidente francês, Emmanuel Macron, pouco antes da reunião do G-7 (grupo composto por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá).

No discurso de hoje, Bolsonaro disse que houve países querendo aplicar sanções ao Brasil “sem sequer nos ouvir” e fez um agradecimento especial ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por não ter endossado esta proposta.

“A ONU teve papel fundamental na superação do colonialismo e não pode aceitar que esta mentalidade volte a estas salas”, disse Bolsonaro. “Qualquer iniciativa para ajuda ou preservação deve ser tratada em pleno respeito à soberania brasileira”, acrescentou.