Alta do petróleo motiva recomendação de compra da Petrobras

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São Paulo – O Bank of America (BofA) aumentou o preço-alvo dos papéis da Petrobras de US$ 14,50/ação para US$ 16,50 depois de ajustadas as estimativas com base nos resultados operacionais da companhia divulgados recentemente e reiterou classificação de compra “dado o forte cenário do preço do petróleo e a avaliação ainda atraente, embora seja observado o aumento de 42% nas ações nos últimos três meses.”
“Ao mesmo tempo, permanecem as preocupações relativas à incerteza relacionada à política energética (especialmente preços da gasolina/diesel) após a eleição presidencial de 22 de outubro e a retórica durante a própria campanha”, diz o relatório do banco.
O BofA estima que o preço impulsione os resultados do 4T21, que serão divulgados dia 23 de fevereiro. Espera, ainda, EBITDA de US$ 12 bilhões, deve ser liderado pelos resultados de Upstream, auxiliados por um aumento de 78% ao ano no Brent.
“Espera-se que os resultados financeiros sejam impactados negativamente pelo Real mais fraco. O lucro líquido deve se beneficiar da venda de ativos, incluindo ganhos na venda da refinaria RLAM. Também esperamos que o anúncio do pagamento de dividendos seja possível”, diz a análise do BofA.
“A partir do 2T22, esperamos que a empresa comece a pagar dividendos trimestrais regulares de acordo com sua política de dividendos de 60% do fluxo de caixa livre para o acionista.”
XP RECOMENDA COMPRAR
A XP mostrou visão positiva para a ação da Petrobras, com recomendação de compra dos papéis PETR3/PETR4 e preço-alvo de R$ 45,30, considerando que a avaliação está descontada em relação a de seus pares globais e o atual cenário de alta do petróleo. Os analistas afirmam que o setor de Petróleo e Gás está mais atrativo graças à alta das commodities e à rotação entre setores de crescimento e valor.
O preço do barril de petróleo Brent está quase chegando aos três dígitos. Analistas acreditam que até o fim de 2022 deve chegar a US$ 100. A valorização é reflexo no desequilíbrio entre oferta e demanda – o crescimento do consumo esperado no pós-pandemia é maior que o aumento da produção. Além disso, os preços têm sido pressionados pelas tensões geopolíticas entre a Rússia e Ucrânia. Os russos são o terceiro maior produtor de petróleo do mundo.
Por aqui, o cenário positivo da commodity mantém as ações da Petrobras atrativas, apesar do governo tentar diminuir os preços dos combustíveis na bomba por meio da PEC dos Combustíveis. A discussão ainda está no Congresso e pode avançar na semana que vem. Mas, aparentemente, não terá efeitos nocivos para a Petrobras, que continua sua política de paridade internacional (acompanha a variação do valor do barril de petróleo no mercado internacional e do dólar).
Segundo o relatório da XP, a Petrobras é negociada atualmente a 2,8x EV/EBITDA 12 meses à frente, bem abaixo dos 3-4,8x EV/EBITDA dos seus pares globais. Em um cenário mais estressado (que inclui 15 de desconto nos preços de paridade internacional para derivados de petróleo), o preço justo é de R$ 33,30 para PETR3/PETR4, mostrando que um potencial cenário negativo já está embutido nos preços atuais.
A análise também cita que a Petrobras tem 19,6% de Dividend Yield esse ano, muito acima dos 10,75% ao ano da Selic, e também muito acima dos 14% de seus pares russos e 5% das major ocidentais. Além disso, caso a companhia continue trabalhando como nos últimos anos, os dividendos entre 2022 e 2026 devem chegar perto dos 100% do seu valor de mercado.
Para a XP, a taxa de crescimento anual composta (CAGR, na sigla em inglês) da produção de petróleo da Petrobras no Brasil, entre 2021 e 2026, deve chegar a 4%. A companhia tem diversas reservas a serem exploradas na próxima década em projetos de alto retorno e baixo risco de execução.
Por fim, o risco político segue sendo o principal ponto de atenção, segundo a XP, especialmente com as eleições presidenciais este ano. Ainda que não seja possível descartar que a Petrobras seja utilizada para controlar artificialmente o preço dos combustíveis e/ou tenha projetos de investimento com estouros de orçamento como já ocorrido, a empresa estaria mais protegida do que no passado, concluem os analistas.