Apagão é possível e chance de racionamento sobe para 17,2%, diz XP

A corretora atualizou estimativas e vê probabilidade de racionamento nos próximos 12 meses aumentar para 17,2%, de 5,5%

Usina hidrelétrica de Furnas / Foto: José Fernando Carli / freeimages.com

São Paulo – A piora no cenário hídrico brasileiro deixou os analistas da XP em alerta. Em relatório divulgado hoje, Victor Burke e Maíra Maldonado dizem que um ‘apagão é possível’ com os níveis dos reservatórios caindo abaixo do esperado.

Para eles, a situação hídrica é pior do que a prevista com a quantidade de água que chega as hidrelétricas, em unidade de energia, ficar 27% abaixo do que a estimativa da XP, além da geração hídrica e térmica ficar 8% menor do que o previsto.

“Atualizamos nossas estimativas e vemos a probabilidade de racionamento nos próximos 12 meses aumentar para 17,2% de 5,5% no relatório anterior. A crescente probabilidade de um cenário crítico fez com que o governo adotasse medidas preventivas para evitar o racionamento de energia”, disseram.

Victor e Maíra também alertam que a geração hídrica mais baixa no Sudeste exige trazer mais energia das regiões Norte e Nordeste, o que coloca mais pressão no sistema de transmissão e exige uma operação com menos backups para atender a demanda de energia.

“Isso significa que o sistema ficará mais vulnerável a distúrbios como queimadas, tempestades e falhas humanas”, explicaram.

Sobre as medidas anunciadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), como contratação de usinas ociosas, importação de energia de países vizinhos, entre outros, os analistas dizem que, caso haja efetividade e se economize até 2,5GWmed, a probabilidade de racionamento cai para 11%.

Para os próximos 12 meses, a previsão é de não haver a necessidade de um racionamento de energia, mas a previsão do nível consolidado dos reservatórios ficou menor e a utilização de capacidade maior.

“O ponto de ruptura para o nosso modelo agora é se a energia afluente natural média (ENA) ficar abaixo de 63% da média de longo prazo (anteriormente 55%). De acordo com nossos cálculos, a probabilidade de a ENA ficar em 63% ou menos (portanto, ocorrer racionamento de energia) é de 17,2%”, finalizaram.