Alta de juros deve demorar mais nos EUA, segundo diretor do Fed

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São Paulo – O Federal Reserve (Fed) deve iniciar em breve a redução gradual das compras mensais de US$ 120 bilhões em ativos, mas deve levar mais tempo para começar a elevar a taxa de juros, atualmente perto de zero, segundo o diretor do banco central norte-americano, Christopher J. Waller.
“Com base em minhas perspectivas para a economia, no entanto, não espero que o aumento dos juros ocorra logo após a conclusão da redução gradual. As duas ações políticas são distintas. Acredito que o ritmo de melhoria contínua do mercado de trabalho será gradual e espero que a inflação seja moderada, o que significa que a alta dos juros ainda levará tempo para acontecer”, afirmou.
Na ata da reunião de política monetária de setembro, divulgada na semana passada, os membros do Fed indicaram que a redução gradual das compras de ativos deve começar em meados de novembro ou de dezembro e que o processo deve ser concluído na metade de 2022.
Na ocasião, os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) deixaram claro que a orientação para o ajuste dos juros difere daquela para a redução gradual das compras mensais de ativos. No mês passado, vários membros do Fomc levantaram a possibilidade de começar a aumentar a taxa até o final do próximo ano.
Na visão de Waller, se meu risco de aceleração ainda maior para a inflação se concretizar, com a taxa consideravelmente acima de 2% em 2022, “irei preferir o aumento da taxa de juros mais cedo do que agora antecipo”.
“Uma consideração importante será meu julgamento sobre se as expectativas de inflação correm o risco de se tornar não ancoradas – aumentando substancial e persistentemente acima de 2%”, disse ele.
Na reunião de setembro, o Fed elevou sua previsão para a inflação neste ano e no próximo, passando o índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) de 3,4% para 4,2% em 2021 e de 2,1% para 2,2% em 2022. A meta do Fed é de inflação em 2,0% no longo prazo.