Ações sobem 6,6% com minério e Goldman Sachs prevendo dividendos

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São Paulo – As ações da Vale (VALE3) fecharam em alta de 6,6%, a R$ 61,47, acompanhando a alta dos preços do minério de ferro e refletindo um relatório do Goldman Sachs, que afirma que a companhia pode voltar a pagar dividendos.

“A Vale é sustentada pela alta dos preços do minério de ferro e ela tem um peso muito grande no Ibovespa, acaba contaminando outros papéis” disse o sócio da DNAinvest, Leonardo Ramos, que também cita o relatório do Goldman Sachs. Depois da forte alta de ontem, o minério de ferro teve mais um dia de ganhos, com o contrato futuro mais negociado na Bolsa chinesa de Dalian subindo 1,71%, US$ 118,94 a tonelada. Indicadores melhores na China têm ajudado na valorização da commodity.

Além disso, as ações ganharam um novo impulso com os analistas do Goldman Sachs avaliando que a companhia poderá retomar o pagamento de dividendos, depois de ter sido foi suspenso desde o rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

“A administração da Vale já discutiu uma possível retomada de pagamentos se a linha de crédito rotativo tomada em meio à pandemia de covid-19 for reembolsada e se as minas interrompidas reiniciarem as operações.

Nossas previsões pressupõem que ambos os fatores ocorrerão no segundo semestre de 2020. Portanto, acreditamos que a administração possa anunciar a retomada de dividendos após os resultados do segundo trimestre, o que seria um catalisador importante para as ações”, disseram os analistas, em relatório.

De acordo com os cálculos dos analistas, a Vale poderia pagar cerca de US$ 3,8 bilhões em dividendos este ano, o que implica um rendimento (yield) de 7%. Nos cálculos não são considerados os já anunciados R$ 7,2 bilhões (cerca de US$ 1,2 bilhões) em juros sobre capital próprio no final de 2019.

O banco também destaca que não esperam nenhum aumento significativo no investimento, uma vez que atualmente não há planos de fusões e aquisições nem projetos de crescimento relevantes, o que pode fazer com que a forte geração de caixa possa ser devolvida aos acionistas por meio de dividendos e/ou recompra de ações.

“Portanto, vemos potencial para um dividendo médio anual em torno de US$ 4,2 bilhões (ou cerca de 7% de rendimento) em 2021-24, o que seria um dos maiores rendimentos entre as empresas de mineração globais”, destacaram.

Além disso, pressupondo que a empresa manterá sua meta de dívida total de US$ 10 bilhões (já incluindo US$ 4,0 bilhões nas despesas relacionadas a Brumadinho), há possibilidade de um dividendo extra ao redor de US$ 3,3 bilhões por ano, o que levaria a uma média de yield de 13% no período.

O Goldman Sacha ainda reiterou a sua recomendação de compra para os papéis, mesmo prevendo um ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) menor para 2020, com taxas de frete mais altas. No entanto, elevou estimativas para 2021 com melhores preços de metais básicos.