Ações do Assaí disparam após cisão do Pão de Açúcar

São Paulo – As ações do Assaí lideram as altas do Ibovespa no dia de sua estreia na B3 após cisão da Companhia Brasileira de Distribuição (GPA), dono das redes Pão de Açúcar e Extra, cujo braço de varejo continua a ser negociado na bolsa, com o ticker PCAR3.

Às 17h42, os ativos ASAI3 subiam mais de 400% e estavam cotados a R$ 71,44. Já as primárias do Pão de Açúcar (PCAR3) caíam 72,53%, para R$ 22,80. Por volta de 11h20 (horário de Brasília), os papéis do Assaí entraram em leilão ao subir 405,93%, aos R$ 74,37.

Em relatório, o Bank of America (BoFA) espera que a cisão seja capaz de comandar um prêmio para os varejistas de alimentos tradicionais e citou como riscos do desmembramento possíveis contingências, governança e fortes descontos na Colômbia.

“Os ativos de supermercado restantes do Pão de Açúcar são percebidos como vulneráveis tanto para lojas físicas quanto em comércio eletrônico, e buscamos avaliações que reflitam o sentimento ruim. O varejista também continuará a deter a maior parte do possível risco de contingência do grupo. Embora as operações colombianas Almacenes Exito tenham uma parte de capital aberto, sua baixa liquidez limita sua relevância como referência, em nossa opinião. Procuramos uma valorização das ações do “PCAR3″ em 10 a 14 vezes o lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) em 2021”, estimam os analistas Robert Aguilar, Melissa Byun e Vinicius Strano.

Segundo a análise, os pares regionais e globais da companhia negociam em uma ampla gama de avaliações em meio a uma escassez de lojas de descontos puras e disruptivas como o Assaí e considerando os termos da cisão, em que atribuem ao Assaí uma estimativa de avaliação de 16 a 18 vezes o lucro por ação para 2021, aplicando um desconto em relação aos líderes de segmento, mas um prêmio para varejistas de alimentos mais tradicionais. A avaliação considera que o Assaí também pode ser prejudicado por uma queda no preço das ações do Carrefour.

CONTEXTO

Em fevereiro, foram deferidos os pedidos de listagem e admissão à negociação das ações e American Depositary Securities (ADSs) da Sendas no Novo Mercado da bolsa B3 e na New York Stock Exchange (NYSE), no contexto da reorganização societária da companhia e da GPA, aprovadas em dezembro de 2020.

A reorganização compreende a cisão parcial da Sendas com a segregação da participação de Sendas em Almacenes Éxito para o GPA e a transferência de certos ativos operacionais, com a incorporação do acervo cindido pelo GPA e a cisão parcial do GPA, com a segregação da totalidade da participação acionária que o GPA detém em Sendas e a entrega das ações de emissão de Sendas de propriedade do GPA aos acionistas do GPA.

Pelos termos do acordo, a entrega de ações ocorreu na razão de uma ação de emissão de Sendas para cada uma ação de emissão de GPA. Os detentores de ações ordinárias do GPA, após o encerramento do pregão em 26 de fevereiro (data de corte), receberam ações de emissão de Sendas, na proporção de suas respectivas participações no capital social da GPA.

As ações ordinárias do GPA foram negociadas “com direito ao recebimento de ações de emissão de Sendas”, sob o código “PCAR3” até a última sexta-feira, inclusive, sendo que, a partir de hoje, 1 de março, as ações ordinárias do GPA passaram a ser negociadas “ex direito ao recebimento de ações ordinárias de emissão de Sendas” e as ações de Sendas, no segmento do Novo Mercado sob o código “ASAI3”.