“Tem de olhar com cuidado o mercado de trabalho porque ajuda a bater na inflação de serviços”, diz Guillen

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Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

São Paulo, 23 de fevereiro de 2024 – O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Diogo Abry Guillen, disse que é importante se debruçar sobre as informações sobre o mercado de trabalho e aumento de salários porque esse indicador impacta diretamente na inflação de serviços, uma das grandes preocupações dos técnicos com relação ao movimento inflacionário. A fala foi feita durante palestra organizada pela Abrasca sobre Conjuntura da Economia Global e Brasileira e contou com cerca de 300 empresários associados.

A taxa de desemprego está prevista em cerca de 8% pelo Focus. “Há um debate global sobre qual a taxa de desemprego que não gera inflação. Diante dessas dúvidas que se tem sobre o mercado de trabalho, eu falo para olharmos salários: se houver aumento de renda na ponta, há pressão no mercado de trabalho”, avalia.

“Tivemos aumento dos salários na ponta, do rendimento na PNAD, o salário formal do Caged teve uma pequena subida e as negociações salariais têm tido aumento real de cerca de 5%. Tem que olhar porque o mercado de trabalho ajuda a bater na inflação de serviços, que ajuda a entender a inflação – o objetivo do Banco Central (BC).”

Guillen falou do combate à inflação em dois estágios, sendo o último mais trabalhoso e demorado, as chamadas “last miles” ou “últimas milhas em inglês. No mundo todo, desinflação e mercado de trabalho apertado, além de atividade econômica que surpreende para cima.

Na leitura do especialista, a inflação global vem caindo a partir de meados de 2022, com alguns países, agora, se aproximando do centro da meta- a maioria tem perspectiva de desinflação. Nos Estados Unidos, ele diz que os drivers da inflação são os salários e os núcleos da inflação.

“A taxa de desemprego tem surpreendido para baixo e isso significa que o mercado de trabalho está apertado”, diz ele. “Tem uma discussão de quanto já houve de desinflação nos Estados Unidos.”

Para a economia global, Guillen citou os riscos geopolítico – que pode impactar petróleo e outras commodities – ou um risco sistêmico de crédito segundo estudo do Bank of America (BofA) , vários países já iniciaram processo de corte de juros – alguns ainda não começaram, mas indicam que estão próximos do ciclo de queda.

O Brasil é um desses países. No ano passado a previsão de crescimento foi de 1% no início do ano a 3% no final . “O primeiro trimestre surpreendeu pela Supersafra e no segundo começou a mostrar um consumo mais resiliente. No 3T23 já sentimos uma desaceleração da de crescimento e havia indicadores sugerindo que a virada seria forte.”

O crescimento de 2024, para ele, é diferente de 2023. “Dessa vez é muito mais uma história de consumo. Em 2023 foi mais pela Supersafra.” De acordo com ele, o o Boletim Focus estimou em 1.8% o crescimento deste ano. Para 2025 e 2026 o BC projeta crescimento estável de 2%.