Reunião entre EUA e China termina com críticas de ambos os lados

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São Paulo – A mais recente reunião entre autoridades do alto escalão dos Estados Unidos e da China, realizada ontem e hoje em Tianjing, terminou com críticas de ambos os lados, após um aumento nas tensões nos últimos anos em meio a tarifas comerciais e acusações de violações de direitos humanos.

A vice-secretária de Estado norte-americana Wendy Sherman viajou para a China para reuniões com o Conselheiro de Estado e Ministro das Relações Exteriores Wang Yi e outros funcionários do governo do país nos dias 25 e 26 de julho.

As duas autoridades tiveram “uma discussão franca e aberta sobre uma série de questões, demonstrando a importância de manter linhas de comunicação abertas entre nossos dois países. Elas discutiram maneiras de definir os termos para uma gestão responsável da relação entre Estados Unidos e China”, segundo o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price, em comunicado.

“A vice-secretária ressaltou que os Estados Unidos acolhem a dura competição entre nossos países – e que pretendemos continuar a fortalecer nossa própria mão competitiva – mas que não buscamos conflito com a China”, de acordo com a nota.

Sherman levantou “preocupações sobre os direitos humanos, incluindo a repressão antidemocrática de Pequim em Hong Kong; o genocídio em curso e os crimes contra a humanidade em Xinjiang; abusos no Tibete; e a restrição do acesso à mídia e da liberdade de imprensa. Ela também falou sobre nossas preocupações sobre a conduta de Pequim no ciberespaço; através do estreito de Taiwan; e nos mares do leste e do sul da China”, diz a nota.

Por fim, a vice-secretária reiterou preocupações sobre a relutância da China em cooperar com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e permitir uma investigação de segunda fase sobre as origens da covid-19 e apelou pela “cooperação em áreas de interesse global, como a crise climática, combate aos narcóticos, não proliferação e preocupações regionais, incluindo Coreia do Norte, Irã, Afeganistão e Birmânia”.

Pequim, por sua vez, apelou Washington a suspender as restrições e sanções aos vistos e a parar de pressionar as empresas chinesas, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da China, Xie Feng. Ele afirmou que a China entregou uma lista com erros dos Estados Unidos, incluindo pedidos pela retirada do pedido de extradição da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou.

A reunião ocorre após os Estados Unidos e parceiros acusarem o governo chinês na semana passada de realizar um ataque cibernético contra à Microsoft e outras “atividades cibernéticas maliciosas”, além de alertas às empresas norte-americanas para não fazer negócios com entidades que operam em Hong Kong ou na região de Xianjiang.

Em março, os dois países realizaram a primeira reunião de alto escalão do governo do presidente Joe Biden, no Alasca, em um encontro marcado por recriminações mútuas, após anos de tensões marcadas pelo uso de tarifas e sanções pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump.