RADAR DO DIA: Último pregão do mês deve operar volátil

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Foto: Krzysztof Baranski / freeimages.com

São Paulo – O último pregão da semana e do mês deve ser marcado por grande volatilidade de olho na briga da disputa da Ptax do final do mês, além do embate entre Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF). No exterior, a expectativa é pela entrevista de Donald Trump que falará sobre a China após o país asiático aprovar uma nova lei de segurança para Hong Kong.

O desagravo entre Legislativo e Judiciário aumentou após a Polícia Federal (PF) deflagrar a operação das fakes news, que teve como alvo bolsonaristas declarados, entre eles Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang e a deputada federal Carla Zambelli.

Por outro lado, o desdobramento político após a divulgação do vídeo da reunião ministerial na qual o ex-ministro Sergio Moro afirma que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na PF gerou certo alívio, uma vez que para analistas do mercado o conteúdo afasta o risco imediato de um impeachment ou abertura de inquérito contra Bolsonaro, embora não elimine os riscos políticos do governo.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, ordenou que a PF colha o depoimento do ministro da Educação, Abraham Weintraub, contendo explicações sobre as declarações feitas por ele na reunião ministerial de 22 de abril. Na ocasião, ele disse ser a favor de botar “esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”.

Já o ministro Celso de Mello encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) três pedidos de investigação contra o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. Os pedidos querem o enquadramento de Heleno pela suposta prática de crimes contra a Lei de Segurança Nacional (Pet 8871) e de crimes de responsabilidade contra o livre exercício do Poder Judiciário (Pet 8872 e Pet 8875).

Outro tema ainda no radar dos investidores é o depoimento do empresário Paulo Marinho sobre o fato de a PF ter segurado uma operação para não prejudicar a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência.

No campo indicador, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre do ano. A economia brasileira deve interromper três trimestres seguidos de resultados positivos e cair 1,50% nos três primeiros meses deste ano em relação ao período imediatamente anterior, conforme a mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA.

Lá fora, os investidores olham a tensão entre Estados Unidos e China. O país asiático aprovou uma resolução que autoriza a elaboração de uma nova lei de segurança nacional para Hong Kong abrindo um precedente para uma colisão entre Pequim e Washington, uma vez que Trump já afirmou que estuda possíveis sansões em retaliação à atitude chinesa.

Trump cumpriu o prometido e assinou um decreto que tem como alvo as mídias sociais, depois que o Twitter marcou uma de suas publicações como conteúdo de desinformação nesta semana. O decreto altera a seção 230 da lei de comunicação norte-americana, que protege as plataformas de internet e seus proprietários da responsabilidade pelo que os usuários escrevem.

Além disso, os mercados devem olhar ainda para o pacote de estímulos da Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, no valor de 750 bilhões de euros como forma de amenizar os impactos causados pela crise do coronavírus.

Em relação à pandemia causada pelo novo coronavírus, o número de mortes no mundo está em mais de 356 mil pessoas, de acordo com a contagem da universidade norte-americana Johns Hopkins, enquanto o número de casos no mundo já ultrapassou 5,7 milhões de infectados. O Brasil possui 441,315 mil casos confirmados, enquanto 26,788 mil pessoas morreram por causa da doença.

Ontem, o Ibovespa encerrou em queda de 1,13%, aos 86.949,09 pontos, refletindo o anúncio de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará uma coletiva de imprensa para falar da China. O índice também refletiu o sentimento de cautela em relação à cena política local, com destaque para o embate entre Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta manhã, os contratos futuros de ações dos Estados Unidos operam no campo negativo, no aguardo da coletiva de Donald Trump sobre à China. O mesmo acontece na Europa onde os mercados operam em baixa refletindo o mesmo motivo visto nos futuros norte-americanos.

Na Ásia, os principais índices do mercado de ações fecharam o último pregão da semana e do mês sem direção comum, refletido por um lado a reabertura de algumas economias e, por outro, às ameaças de sanções à China pelos Estados Unidos.

EMPRESAS

A Eletrobras obteve lucro líquido de R$ 307 milhões no primeiro trimestre do ano, queda de 77% na comparação anual. O lucro líquido das operações continuadas teve queda de 80,5% no período, para R$ 307 milhões na mesma base de comparação.

A Braskem informou que em razão da pandemia do coronavírus as taxas de utilização no Brasil e nos Estados Unidos foram temporariamente reduzidas por conta da menor demanda e do movimento de redução de estoques na cadeia petroquímica e de plásticos.

A MRV Engenharia registrou lucro líquido de R$ 115 milhões no primeiro trimestre de 2020, 39,1% menor que o visto no mesmo período do ano anterior. A receita operacional líquida retraiu 0,6% no período, para R$ 1,499 bilhão na mesma base de comparação.

O Banco do Brasil fechou um acordo com o Banco Votorantim para cessão de direitos creditórios com retenção substancial dos riscos e benefícios no valor de R$ 1,440 bilhão.

A Hering reportou lucro líquido de R$ 5,043 milhões no primeiro trimestre deste ano, queda de 89,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

O conselho de administração da Qualicorp aprovou a eleição de Frederico de Aguiar Oldani para o cargo de diretor Financeiro e de Relação com Investidores da companhia, em substituição a Elton Hugo Carluci.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a controlada indireta Brasil PCH a retornar as operações comerciais na unidade de geração n 02 da PCH São Joaquim.

A Klabin concluiu os procedimentos finais para o aumento de capital em sua controlada Sapopema Reflorestadora. No mês passado, a empresa havia anunciado que injetaria R$ 81 milhões na subsidiária na forma de três mil hectares de florestas plantadas.