RADAR DO DIA: Prates fora da Petrobras; IBC-Br; Inflação nos EUA

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São Paulo, SP – Os índices futuros americanos e as bolsas europeias abriram em
instabilidade. Na noite de ontem, foi confirmada a demissão do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates. O nome indicado para substitui-lo é Magda Chambriard, engenheira química, que foi diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) no governo Dilma Rousseff. A queda de Prates não é novidade, já que sua atuação à frente da estatal vinha supostamente desagradando uma ala do governo.

No pré-mercado de Nova York, as ADRs da Petrobras registravam queda de 8,36%, indicando que os papéis da companhia devem ter forte queda hoje na abertura dos negócios na B3. Nesta semana, a estatal divulgou o balanço do primeiro trimestre, com com lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 23,7 bilhões, queda de 37,9%, na comparação com mesmo período do ano anterior (1T23). Em relação ao ultimo trimestre do ano passado (4T23), o lucro líquido recuou 23,7%.

A estatal também confirmou o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP)
intercalares no valor de R$ 13,45 bilhões, equivalente a R$ 1,04161205 por ação ordinária e preferencial, como antecipação da remuneração aos acionistas relativa ao exercício de 2024, declarada com base no balanço de 31 de março de 2024. Os pagamentos acontecerão em duas parcelas, em agosto e setembro.

Ontem, após a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), realizada na semana passada, na qual os juros recuaram 0,25 ponto percentual, interrompendo uma sequência de seis cortes de 0,50 ponto percentual, analistas afirmaram que o tom mais duro do documento é um aviso claro de que o ritmo atual de queda na Selic acabou.

Para a Goldman Sachs, o Copom deve fazer mais três cortes de 0,25 ponto percentual na taxa Selic até o fim do ano, levando os juros para 9,75% em 2024. Após o corte de 0,25 p.p, na semana passada, a Selic ficou em 10,50%. O placar da votação ficou em 5 a 4, com o voto desempate pelo corte de menor magnitude dado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

“É unânime entre os diretores o firme compromisso de conduzir a inflação para a meta, que uma política monetária mais contracionista e cautelosa é necessária para reforçar a dinâmica desinflacionária, que nenhuma orientação sobre decisões futuras de
política é mais apropriada diante do cenário global incerto e de um cenário doméstico marcado por atividade resiliente e expectativas desancoradas, e que a taxa terminal será aquela que consolida não apenas o processo de desinflação, mas também o ancoramento das expectativas de inflação em torno das metas”, apontou a ata do Copom

Hoje será divulgado o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) referente a março. Segundo a mediana das projeções coletadas pelo Termômetro CMA, o índice deve recuar 0,3% em relação a fevereiro. Na comparação com março do ano passado, o indicador deve recuar 2,40%. Em base mensal, as projeções de seis instituições financeiras variam entre +0,0% e -0,80% (média de -0,32 %). Em termos anuais, as previsões apontadas pelas cinco ‘casas’ consultadas vão de -1,50% a -2,90% (média de -2,30%).

Nos Estados Unidos, após os números do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) de abril, que subiu 0,5% na comparação com o mês anterior, após a queda de 0,1% de março, hoje é a vez da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês). Em março, o CPI foi de 0,4%, acima da previsão de 0,3%. A expectativa para abril é uma elevação de 0,4%. A taxa anual de inflação do núcleo do CPI permaneceu inalterada em 3,8%, em março. A taxa do CPI geral passou de 3,2% para 3,5%, e deverá receber impulso mais significativo da ressurgência dos preços da energia em abril.

No início de maio, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) manteve os juros no intervalo de 5,25% a 5,50%. A decisão foi unânime. Com isso, a taxa de juros permanece no mesmo patamar desde julho de 2023. Na última sexta-feira (10), a diretora do Fed, Michelle Bowman, disse que não espera que seja apropriado para o banco central cortar as taxas de juros em 2024, apontando para a persistente inflação nos primeiros meses do ano. “Após três ou quatro meses de decepções com a inflação, acredito que levaria um período prolongado de tempo antes de ter confiança de que a inflação está retornando à meta de 2%, uma condição prévia para cortes”, comentou Bowman.

Após a divulgação do PPI, a ferramenta CME FedWatch, que rastreia a probabilidade de ajustes nas taxas de juros pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), indicou que a probabilidade de cortes nas taxas na reunião de setembro passou de 48,6% para 49,8%. Já para a manutenção dos juros como estão, a possibilidade recuou de 38,8% para 33,8%. A probabilidade do Fed baixar juros até setembro recuou levemente mas continuou predominante, de 64,3% antes do PPI para 63,4%. As apostas continuam bem divididas para dezembro, mas agora tendem suavemente para o lado mais “hawkish”.

No setor corporativo, a Eletrobras informou que, durante o World Hydrogen 2024 em Rotterdam, Holanda, assinou dois Memorandos de Entendimento. O primeiro com a Green Energy Park Global B.V e visa contribuir com a produção de hidrogênio renovável e derivados a preços competitivos para impulsionar a economia verde e a segurança energética. O segundo memorando com o governo do estado do Ceará para o suprimento de energia renovável, fomento a descarbonização da economia e promoção da cadeia de produção de hidrogênio de baixo carbono em futuros projetos industriais no estado.

A Eneva reportou prejuízo líquido da companhia, que desconta a participação dos minoritários das subsidiárias, de R$ 60,9 milhões no primeiro trimestre de 2024, revertendo o resultado líquido positivo de R$ 222,9 milhões no mesmo intervalo de 2023. O resultado financeiro líquido da companhia totalizou -R$ 707,1 milhões no 1T24, comparado a -R$ 435,2 milhões no 1T23. A variação negativa no período foi principalmente decorrente do impacto não caixa da variação cambial líquida negativa em R$ 102 milhões no 1T24, frente ao resultado positivo de variação cambial de R$ 71,4 milhões no 1T23, e pelo crescimento das despesas financeiras em R$ 75,7 milhões no comparativo anual.

A Petrobras, em resposta à questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), confirmou que solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU), nos termos da Instrução Normativa TCU 91/2022, uma solução consensual entre a companhia e a Unigel, mediada pelo tribunal, para viabilizar a operação das plantas arrendadas para a Proquigel/Unigel e evitar sua deterioração e os custos decorrentes dessa condição.

A JBS divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com lucro líquido de R$ 1,65 bilhão, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período de 2023. A receita líquida cresceu 2,8%, para R$ 89,15 bilhões. No período, cerca de 76% das vendas globais da JBS foram realizadas nos mercados domésticos em que a companhia atua e 24% por meio de exportações. Nos últimos 12 meses, a receita líquida atingiu R$366,3 bilhões (US$74,2 bilhões). O ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) aumentou 216,4%, para R$ 6,28 bilhões. Em termos ajustados, o ebitda aumentou 197,4%, para R$ 6,429 bilhões, enquanto a margem ebitda alcançou 7,2%, um aumento de 470 pontos-base em relação ao ano anterior.

A concessionária do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS) informa que deve prorrogar a suspensão de atividades do terminal por mais três meses, informa a Rádio Gaúcha. Essa é a quarta prorrogação de prazo comunicada pela Fraport. A anterior indicava
que o aeroporto não abriria antes do fim de maio. A Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) também determinou que as companhias suspendam as vendas de passagens aéreas para o Salgado Filho. Até segunda-feira (13) ainda era possível adquirir passagens para julho, agosto ou setembro.

Durante depoimento do vice-presidente da Braskem, Marcelo de Oliveira Cerqueira, senadores da CPI concluíram que houve exploração predatória e o descumprimento pela mineradora, do plano econômico de extração de sal-gema em Maceió. Para os membros da CPI da Braskem, que encerrou a fase de depoimentos nesta terça-feira (14), a empresa retirou mais sal do que a capacidade de segurança dos poços. As informações são da Agência Senado. A causa foi gerada pela Braskem e pela produção de minério, e só tem um motivo: tirar mais sal do que o permitido, tirar mais sal do que o plano de aproveitamento econômico da mina constatou o relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE).