RADAR DO DIA: IPCA de abril; Desoneração da folha; Queda da Selic

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Foto: Agência Brasil / Marcello Casal Jr.

São Paulo, SP – Os índices futuros americanos e as bolsas europeias abriram em alta. A semana termina com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, e com o mercado mais receoso sobre o ritmo de queda de juros no Brasil. Na última quarta-feira (8), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu cortar em 0,25 ponto percentual os juros, interrompendo uma sequência de seis cortes de 0,50 ponto percentual. Com isso, a Selic passou para 10,50% ao ano.

Apesar da decisão não ter surpreendido, o que deixou os investidores ressabiados foi o placar da votação (5×4), com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dando o voto de desempate a favor do corte de 0,25 p.p. Além disso, todos os 4 membros que votaram pelo corte de 0,50 p.p. foram os indicados pelo presidente Lula. Já, na outra ponta, os 5 que votaram pelo corte menor foram indicados pelo então presidente Jair Bolsonaro. A preocupação é que em 2025 a maioria dos membros do Copom será indicado pelo presidente Lula, o que poderia acarretar em um Copom mais “político” do que técnico.

Ontem, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que as divergências no Copom se deram “no campo técnico” e que o temor de que o próximo presidente do BC possa não ser tão comprometido com a meta de inflação quanto Campos Neto “é uma leitura superficial e ideológica”. Haddad ressaltou que o papel do BC é entregar a inflação dentro da meta, o que ele vai fazer pelo segundo ano consecutivo, e que vai continuar fazendo pelos próximos anos.

Hoje saem os números do IPCA de abril, que deve subir 0,35% ante março. No acumulado de 12 meses, até abril, a alta projetada é de 3,66%. As estimativas foram calculadas pelo Termômetro CMA. As previsões de nove instituições financeiras consultadas para o resultado mensal variam entre 0,26% e 0,40%, com a média das projeções em 0,34%. No acumulado de 12 meses, as previsões de nove “casas” consultadas variam entre 3,56% e 4,30% (média em 3,72%). Em março, o IPCA registrou o alta de 0,16% no mês, 0,67 p.p. menor que em fevereiro, quando marcou 0,83%. No ano, a inflação acumulada está em 1,42%. Nos últimos 12 meses, os preços subiram 3,93%. Em março de 2023, o índice havia sido de 0,71%.

Em Brasília, após um acordo entre o governo, o Congresso Nacional e representantes de 17 setores da economia, foi decidido que a folha de pagamento para essas atividades continuará desonerada neste ano, mas haverá alíquotas gradualmente recompostas entre 2025 e 2028. Prorrogada até o fim de 2027, após a aprovação de um projeto de lei que cinco ministros do Supremo consideraram inconstitucional, a desoneração da folha de pagamento permite que empresas de 17 setores substituam a contribuição previdenciária, de 20% sobre a folha de pagamento dos empregados, por uma alíquota de 1% a 4,5% sobre a receita bruta.

Nos Estados Unidos, ontem saíram os dados sobre os novos pedidos de seguro-desemprego, que aumentaram em 22 mil para 231 mil na semana encerrada em 4 de maio, após ter alcançado 209 mil na semana anterior (dado revisado). Analistas previam 210 mil pedidos.

Ontem, a presidente da unidade de São Francisco do Federal Reserve (Fed, o banco central
americano), Mary Daly, afirmou que as taxas de juros estão atualmente restringindo a economia, mas pode ser necessário “mais tempo” para trazer a inflação de volta à meta. Ela afirmou que os dados recentes – que mostraram pressões de preços aumentando no início deste ano – mostram que a
política atual do Fed está no caminho certo, pois ainda não é possível declarar vitória antes
da inflação ser contida.

Por aqui, depois de uma semana intensa de resultados do primeiro trimestre de cerca de 40 empresas, hoje será a vez da Yduqs e da Cemig. Ontem (9) saíram os balanços da Allos, Alpargatas, B3, CVC, Cyrela, Fleury, Magazine Luiza, Petz, Movida, Rumo, Sabesp, Suzano e Localiza.

No setor corporativo, a Sabesp divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com lucro líquido de R$ 823 milhões, alta de 10,2% em relação ao mesmo período de 2023. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 2,42 bilhões, alta de 19,4% em relação ao 1T23. Já a margem Ebitda ajustado foi de 46,5%, alta de 1,5 p.p. na comparação com o mesmo período de 2023

A Petz divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com lucro líquido ajustado de R$ 6,8 milhões, queda de 64,1% em relação ao mesmo período de 2023. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 60 milhões, queda de 7,5% em relação ao 1T23. Já a margem Ebitda ajustado foi de 6,4%, queda de 0,7 p.p. na comparação com o mesmo período de 2023

A Allos divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com lucro líquido de R$ 85 milhões, recuo em relação ao mesmo período de 2023. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 447 milhões, alta de 6,7% em relação ao 1T23. Já a margem Ebitda ajustado foi de 72,6%, alta de 0,5 p.p. na comparação com o mesmo período de 2023.

A CSN Mineração divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com lucro líquido de R$ 558 milhões, alta de 8% em relação ao mesmo período de 2023. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 447 milhões, alta de 6,5% em relação ao 1T23. Já a margem Ebitda ajustado foi de 40,1, queda de 9 p.p. na comparação com o mesmo período de 2023.

A CSN divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com prejuízo líquido de R$ 480 milhões, queda de 42% em relação ao prejuízo registrado no mesmo período de 2023. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 1,966 bilhão, queda de 39% em relação ao 1T23. Já a margem Ebitda ajustado foi de 19,3, queda de 8 p.p. na comparação com o mesmo período de 2023.

A Localiza divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com lucro líquido de R$ 733 milhões, alta de 40,6% em relação ao mesmo período de 2023. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 2,9 bilhões, alta de 11,3% em relação ao 1T23.

A CVC divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com prejuízo líquido de R$ 34 milhões, queda de 73,1% em relação ao mesmo período de 2023. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 86 milhões, alta de 216% em relação ao 1T23. Já a margem Ebitda ajustado foi de 27,2%, alta de 17,9 p.p. na comparação com o mesmo período de 2023.

A CPFL divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com lucro líquido ajustado de R$ 1.75 bilhão, alta de 6,3% em relação ao mesmo período de 2023. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 3,8 bilhões, alta de 9,5% em relação ao 1T23.

A Alpargatas divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2024, com lucro líquido de R$ 24
milhões, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período de 2023. O lucro antes juros,
impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 99
milhões, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período de 2023. Já a margem Ebitda ajustado foi de 10,7%, alta de 34,1 p.p. na comparação com o mesmo período de 2023.