Produção industrial recuou 0,5% em abril ante março; projeção era de -0,2%

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Fábrica da empresa brasileira BRF em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

São Paulo – A produção industrial brasileira recuou 0,5% em abril ante março, depois de ter avançado 0,9% no mês imediatamente anterior. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O recuo foi maior que o previsto, de -0,2%, conforme mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA. Já em relação a abril de 2023, houve alta de 8,4% ante estimativa de +9,0% coletada pela CMA.

Com isso, o setor industrial cresceu 3,5% nos quatro primeiros meses de 2024. No acumulado nos últimos dozes o avanço foi de 1,5%, intensificando o ritmo frente aos resultados dos meses anteriores.

O setor industrial, ao mostrar redução de 0,5% em abril de 2024 frente ao mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, eliminou parte do ganho acumulado de 1,0% registrado nos meses de março e de fevereiro de 2024. No índice desse mês, diferentemente do que havia sido observado no mês anterior, verifica-se predomínio de taxas positivas, uma vez que três das quatro grandes categorias econômicas e 18 das 25 atividades industriais pesquisadas apontaram expansão na produção.

Vale destacar que, com esses resultados, a produção industrial se encontra 0,1% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 16,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Entre as atividades, a influência negativa mais importante foi assinalada por indústrias extrativas, que recuou 3,4% nesse mês, após avançar 0,4% em março, quando interrompeu dois meses consecutivos de queda na produção, período em que acumulou perda de 8,2%. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de produtos alimentícios (-0,6%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-0,6%) e de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,6%).

Por outro lado, entre as 18 atividades que apontaram expansão na produção, a de veículos automotores, reboques e carrocerias (13,2%) exerceu o principal impacto em abril de 2024, após recuar 4,6% no mês anterior quando interrompeu três meses consecutivos de taxas positivas, período em que acumulou ganho de 14,6%.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda frente ao mês imediatamente anterior, bens intermediários, ao recuar 1,2%, apontou o único resultado negativo em abril de 2024 e eliminou o avanço de 1,1% verificado no mês anterior.

Por outro lado, os segmentos de bens de consumo duráveis (5,6%) e de bens de capital (3,5%) assinalaram as taxas positivas mais elevadas nesse mês, com ambas eliminando as quedas registradas em março último: -3,4% e -0,4%, respectivamente. O setor de bens de consumo semi e não duráveis (0,1%) também mostrou resultado positivo em abril de 2024 e marcou o terceiro mês seguido de crescimento na produção, período em que acumulou ganho de 1,7%.

Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral para o total da indústria apresentou variação positiva de 0,2% no trimestre encerrado em abril de 2024 frente ao nível do mês anterior, permanecendo com a trajetória predominantemente ascendente iniciada em fevereiro de 2023.

Frente a abril de 2023, a indústria teve expansão de 8,4% em abril de 2024, com resultados positivos em quatro das quatro grandes categorias econômicas, 22 dos 25 ramos, 68 dos 80 grupos e 70,3% dos 789 produtos pesquisados. Vale citar que abril de 2024 (22 dias) teve 4 dias úteis a mais do que igual mês do ano anterior (18).

Entre as atividades, as principais influências positivas no total da indústria foram registradas por produtos alimentícios (14,4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (31,6%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (31,3%) e máquinas e equipamentos (15,8%).