Previsão de inflação para 2022 sobe a 8,8%; para 2023 vai a 4%, aponta BC

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Edifício-sede do Banco Central em Brasília. (Foto: Divulgação/BC)

São Paulo, 30 de junho de 2022 – O Banco Central (BC) elevou a previsão para a inflação em 2022 em 2,5 ponto porcentual (pp), para 8,8%, segundo dados divulgados na edição de junho do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). A previsão está 5,3 pp acima do centro da meta prevista para este ano. As previsões para a inflação em 2023 e 2024 também subiram.

 

A previsão para a inflação no ano que vem aumentou em 0,9 pp, para 4%, ficando 0,75 pp acima do centro da meta, enquanto a projeção de inflação para 2024 passou de 2,3% em março para 2,7%, ficando 0,3 ponto abaixo do centro da meta estipulada.

 

Segundo o relatório, os principais fatores que levaram à revisão das projeções de inflação foram: a inflação observada recentemente maior do que a esperada; revisão das projeções de curto prazo; elevação do preço do petróleo; propagação via inércia inflacionária das pressões correntes; crescimento das expectativas de inflação da pesquisa Focus; indicadores de atividade econômica mais fortes do que o esperado; e utilização de taxa de juros real neutra maior do que a no relatório anterior.

 

Os principais fatores de revisão para baixo foram: trajetória mais elevada da taxa Selic da pesquisa Focus; e apreciação cambial.

 

O Banco Central (BC) elevou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de 1% para 1,7%.

 

Segundo o relatório, o ambiente externo seguiu se deteriorando. As fortes e persistentes pressões inflacionárias, decorrentes da recuperação global após a pandemia, foram exacerbadas pelo avanço nos preços de commodities este ano e, mais recentemente, pela onda da Covid‑19 na China, prolongando ainda mais o processo de normalização do suprimento de insumos industriais.

 

“O crescimento de grandes economias tem sido revisado para baixo, em função da expectativa de reversão dos estímulos implementados durante o longo período da pandemia, em particular os de política monetária. Notou‑se, ademais, revisões negativas de crescimento para a China, em parte refletindo a política de Zero Covid adotada por esse país”, aponta o documento.

 

O BC destaca que bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes têm adotado uma postura mais contracionista em reação ao avanço da inflação, ainda que, em parte dessas economias, as taxas de juros correntes sigam em campo avaliado como expansionista.

 

“A reprecificação da política monetária nos países avançados, o aumento da aversão a risco e a mudança da perspectiva de crescimento econômico têm impactado as condições financeiras tanto de países avançados quanto de emergentes”, destaca.

 

Em relação à atividade econômica brasileira, dados divulgados desde o último Relatório de Inflação evidenciaram crescimento no primeiro trimestre mais expressivo do que se projetava à época. O carregamento estatístico do primeiro trimestre e indicadores mensais de abril e maio também sugerem um segundo trimestre mais positivo do que o antecipado. No mesmo sentido, indicadores relativos ao mercado de trabalho seguem em recuperação.

 

“Mantém‑se a expectativa de desaceleração relevante da atividade no segundo semestre. Efeitos cumulativos do aperto monetário em curso, que é parte da estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no horizonte relevante, devem contribuir para essa desaceleração. Adicionalmente, alterações no calendário de transferências governamentais terão impacto negativo sobre a renda disponível das famílias no segundo semestre, contribuindo para o arrefecimento do consumo’, conclui.

 

Dylan Della Pasqua / Agência CMA

 

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