Ministro de Minas e Energia diz que governo discutirá tarifa em seminário no mês de março

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Primeiro terminal de importação de Gás Natural Liquefeito (GNL) da região Norte, em Barcarena, no Pará. Foto: Alex Ribeiro/Agência Pará.

São Paulo – O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, parabenizou o governador Helder Barbalho por sua contribuição na questão tarifária e disse que o governo federal abriu um debate sobre o tema no princípio do ano passado para corrigir uma série de distorções nos últimos anos por abandono da questão pelas gestões passadas. Segundo o ministro, “há um trabalho muito grande sempre sobre liderança do presidente Lula” e haverá um seminário para discutir as tarifas de energia daqui a 15 dias.

“O que nós conseguimos no primeiro momento, no primeiro ano de governo, foi estancar a sangria que vinha há seis anos aumentando fortemente a energia de todo o Brasil, em especial, distorcida em alguns estados da Federação”, comentou o ministro, a jornalistas, acompanhado pelo governador do Pará, Hélder Barbalho (MDB), após a cerimônia de inauguração do primeiro terminal de importação de gás natural liquefeito (GNL), pela New Fortress Energy (NFE) Brasil, nesta quarta-feira (28), na Baía do Marajó, em Barcarena (PA). O projeto foi comprado pela empresa em 2021 e recebeu um investimento de R$ 300 milhões.

As instalações são capazes de regaseificar 15 milhões de metros cúbicos por dia, o equivalente a 22% de toda a demanda de gás natural do Brasil em 2022. “O nosso terminal de GNL em Barcarena está estrategicamente localizado na foz do rio Amazonas, no Pará, Brasil, e é a única fonte de abastecimento de gás natural dessa movimentada região. A instalação consiste em um terminal em terra e uma Unidade Flutuante de Armazenamento e Regaseificação (FSRU em inglês) em alto-mar que fornecerá GNL a vários clientes industriais, incluindo a Alunorte, a maior fundição de alumina do mundo. Além de atender às necessidades energéticas da vasta atividade econômica concentrada nessa região, o terminal também ajuda a levar energia mais limpa e sustentável para a bacia do rio Amazonas”, comentou a NFE, em nota.

Hélder Barbalho disse que a inauguração do terminal da NFE representa “um momento histórico ao estado e para a diversificação de sua matriz energética” e permitirá que novas empresas possam se instalar no Pará, gerando desenvolvimento econômico, emprego e renda para a população. Ele também ressaltou que além das indústrias, a energia gerada pelo terminal também poderá ser destinada para o abastecimento de veículos e representa uma redução no custo do combustível.

Terminal recebe R$ 1,8 bi do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o Ministério de Minas e Energia e o Governo do Pará, participou, nesta quarta-feira, 28, da inauguração do primeiro terminal de importação de Gás Natural Liquefeito (GNL) da região Norte, em Barcarena, no Pará. O empreendimento faz parte do projeto Complexo Termelétrico Barcarena, que possui financiamento de R$ 1,8 bilhão do BNDES, cerca de 65% do investimento total da Centrais Elétricas Barcarena S.A (CELBA 2). O apoio foi anunciado em novembro de 2023.

Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o papel do gás natural é essencial para a segurança energética do Norte do Brasil, além de substituir outras fontes fósseis com menor pegada de carbono. “Estamos registrando uma nova era energética para a região Norte do Brasil. Além de atender às necessidades energéticas da vasta atividade industrial e econômica concentrada nesta região, o terminal também irá ajudar a levar energia mais limpa e sustentável para a Bacia do Rio Amazonas, disse o ministro.

A Unidade Termelétrica (UTE) Novo Tempo de Barcarena torna o estado do Pará um dos líderes da descarbonização do país. Ao todo, foram investidos no terminal de abastecimento de GNL cerca de R$ 280 milhões em instalações capazes de regaseificar 15 milhões de m/dia. A instalação consiste em um terminal em terra e uma Unidade Flutuante de Armazenamento e Regaseificação (FSRU em inglês) em alto-mar.

Apenas com a substituição do combustível usado na geração de energia, 30% menos CO2 será emitido na atmosfera. Além disso, a UTE será conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) colaborando, ainda mais, com a robustez de um dos maiores e mais confiáveis sistemas do planeta.

A partir do ano que vem, o combustível também será usado como alternativa ao carvão mineral em uma termelétrica, reduzindo consideravelmente a pegada de carbono tanto da geração de energia quanto dos processos industriais.

O terminal inaugurado faz parte do projeto Complexo Termelétrico Barcarena, com investimentos de R$ 2,5 bilhões e financiamento de R$ 1,8 bilhão do BNDES, do quais R$ 1,4 bilhão já foram desembolsados. O projeto foi estruturado no Banco, por meio da linha BNDES Finem. A previsão de inauguração da usina é em julho de 2025. A iniciativa apoiada pelo BNDES abrange ainda a construção de uma linha de transmissão de cerca de cinco quilômetros de extensão para conexão da usina ao Sistema Interligado Nacional de energia.

Por substituir as usinas de geração a diesel, mantendo a estabilidade do sistema interligado brasileiro, as termelétricas a gás têm um papel relevante na transição energética, comenta a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, destacando que cerca de 90% da geração elétrica baseada em fontes limpas.

Parte da iniciativa do grupo New Fortress Energy, o complexo transformará o município de Barcarena em um hub estratégico para o escoamento de GNL, atendendo grandes consumidores e substituindo combustíveis mais poluentes como o diesel.