MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

Foto: Svilen Milev / freeimages.com

São Paulo – O Ibovespa opera com queda próxima de 1%, mas na mínima do dia chegou a cair 1,3%. A Bolsa vê os investidores voltarem suas preocupações para um possível calote da Evergrande, gigante do setor imobiliário chinês. Uma unidade da Evergrande perdeu o prazo para efetuar o pagamento dos juros sobre os bônus que venceram ontem (23) e coloca o mercado mundial em alerta.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em queda de 0,68%, aos 113.277,46 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 12,8 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2021 apresentava recuo de 0,47%, aos 113.510 pontos.

Somado a isso, os agentes financeiros aguardam fala do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Jerome Powell, nesta manhã. Na última quarta-feira, Powell sinalizou que o tapering (redução de estímulos) pode se iniciar em novembro.

Por aqui, os investidores também repercutem o Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) – subiu 1,14% em setembro em comparação com agosto, a maior para o mês desde 2016. O Indice acumula alta de 10,05% em 12 meses até setembro. O resultado ficou acima da mediana das expectativas dos analistas, de acordo com o Termômetro da Agência CMA, + 1,00%.

“Com o conglomerado chinês Evergrande entrando em seu primeiro dia de atraso em pagamento de juros de títulos (calote apenas após 30 dias de atraso), e à despeito de injeções de liquidez pelo PBoC, investidores monitoram a situação com cautela, sendo observado alguma acomodação da recuperação dos mercados vista na véspera”, explicou a Commcor Corretora.

Para os analistas da Sul América Investimentos, a Bolsa deve abrir em queda acompanhando o movimento dos futuros em Nova York. “Os investidores seguem atentos ao desenrolar da crise de liquidez que envolve a empresa Evergrande”. Os analistas da Sul América Investimentos apontaram que o movimento queda “não caracteriza propriamente aversão ao risco, mas de realização de lucro após altas recentes”.

A economista Ariane Benedito, da CM Capital, afirmou que “a expectativa para a abertura da Bolsa, após três pregões em alta, é de realização de lucros, assim como no resto do mundo, com os investidores cautelosos com a crise da Evergrande”.

O dólar continua em alta. A moeda norte-americana reagiu à alta do IPCA-15, divulgado nesta manhã, de 1,14% em setembro ante agosto. Isso foi recebido como um sinal de que a inflação não está desacelerando.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,39%, sendo negociado a R$ 5,3330 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2021 apresentava alta de 0,47%, cotado a R$ 5,337.

Segundo fonte ouvida pela CMA, “o mercado está negativamente ao IPCA-15 mais alto, impactando no dólar. Isso mostra que o Banco Central talvez precise de juros mais altos”. Ela ainda diz que a inflação está espalhada e já existem previsões de que a Selic termine o ano em 9,25%. “A inflação está espalhada”, complementa.

Fatores internos como a crise hídrica, a alta da tarifa de energia e os precatórios continuam pressionando o real: “O precatório deu uma aliviada, mas o fiscal vai muito além disso, estamos prestes a entrar em um ano com muita pressão eleitoreira”, pontua a fonte.

Para a economista e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, “o mercado está operando com bastante cautela”. Para ela, a sinalização do presidente do Fed, Jerome Powell, que a retirada de estímulos está próxima, assim como a revisão a da inflação norte-americana e possível aumentos de juros, “está levando os investimentos para lá, fortalecendo o dólar”.

Já o mercado doméstico continua sendo o calcanhar de Aquiles: “O cenário interno, tanto político quanto econômico, ainda é conturbado. A recuperação está bastante lenta e gradual”, pondera Quartaroli.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) seguem operando em alta, com o mercado entendendo que riscos fiscais e políticos estão mais estáveis. No exterior, voltou a preocupação com o possível calote da Evergrande, gigante do setor imobiliário chinês. Uma unidade da empresa perdeu o prazo para efetuar o pagamento dos juros sobre os bônus que venceram ontem.

Com isso, por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 7,120%, de 7,095%% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,950%, de 8,910%; o DI para janeiro de 2025 ia a 10,040%, de 9,950% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 10,450%, de 10,350%, na mesma comparação.