MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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São Paulo – Após operar com volatilidade entre altas e baixas no início do pregão, a Bolsa registra ganho com os investidores atentos à inflação aqui e nos Estados Unidos. Hoje o resultado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em maio, ficou acima do esperado pelo mercado apontando no mês a maior taxa em 25 anos. O mercado fica em compasso de espera dos dados, amanhã, da inflação ao consumidor nos Estados Unidos (CPI, sigla em inglês).

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em alta de 0,58%, aos 130.541,11 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 20,6 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2021 apresentava avanço de 0,46%, aos 130.600 pontos.

Para o analista Lucas Carvalho, da Toro Investimentos, “todos os investidores aguardam os dados do CPI nos Estados Unidos. Na divulgação passada gerou muito estresse porque veio muito acima do esperado e coloca aquele receio sobre a atuação do banco central norte-americano”, comenta.

O IPCA, que mede a inflação oficial do País, subiu 0,83% em maio, avançando em comparação ao mês anterior, que apontou alta de 0,31%, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima da mediana prevista pelo Termômetro CMA, de + 0,71%.

Na taxa acumulada em 12 meses, o índice apresentou ganho de 8,6%, superando o teto da meta de inflação do Banco Central (BC) para 2021, alta de 5,25% e ligeiramente acima da mediana calculada pelo Termômetro CMA, +7,93%. De acordo com o analista da Toro Investimentos. Com o resultado do IPCA de maio “pode mudar as apostas para a elevação da taxa de juros. Devemos fazer o dever do acompanhamento dos indicadores econômicos”.

O analista José Costa Gonçalves, da Codepe Corretora afirma que “o IPCA já está precificado pelo mercado e acredita que o Ibovespa mantém tendência de alta”.

Ontem o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em um vento promovido pelo JP Morgan, que uma das atenções para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) será a inflação do setor de serviços.  Campos Neto comentou que normalização de juros vai ser parcial e que a inflação é temporária.

Em relação ao cenário político, a medida provisória (MP) da Eletrobras deve ser votada até amanhã ou no máximo até a próxima semana. O senador Marcos Rogério (DEM-RO) disse que deve receber as emendas dos parlamentares para inserir no texto.

No cenário corporativo, o destaque fica para a Gol Linhas Aéreas que anunciou ontem à noite a compra da MAP Transportes aéreos, uma empresa aérea local com rotas regionais, por R$ 28 milhões. As ações da Gol (GOLL4) sobem mais de 4%.

O dólar comercial firma alta frente ao real, após oscilar forte nas primeiras horas de negócios aqui e no exterior, com investidores atentos aos dados de inflação. Hoje, saíram os resultados de maio do indicador na China e aqui, com números acima do esperado. O mercado local agora se ajusta à espera da decisão de política monetária do Banco Central (BC) na semana que vem e à espera da inflação nos Estados Unidos, amanhã. Na próxima semana, tem também a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,83%, cotado a R$ 5,0820 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2021 apresentava avanço de 0,87%, cotado a R$ 5,092.

Hoje, investidores digerem os números da inflação doméstica, no qual subiu 0,83% em maio na comparação com abril, na maior alta para o mês desde 1996 e acima do esperado pelo mercado (+0,71%). Enquanto na China, o índice de preços ao consumidor teve alta de 1,3% no mês passado ante maio de 2020. Analistas aguardavam alta de 1,5%.

Em relação ao resultado do IPCA, o estrategista-chefe da Levante, Rafael Bevilacqua, diz que, agora, a “grande incógnita” é qual o nível de complacência do BC com a inflação.

“Se haverá uma mudança de trajetória na taxa Selic, ou se o Banco Central vai acompanhar suas contrapartes nos Estados Unidos e na Europa e deixar a inflação desancorada para não interromper o processo de recuperação econômica”, avalia, acrescentando que essa incerteza vai durar “apenas” uma semana, já que tem decisão de política monetária na semana que vem.

O diretor de uma corretora nacional acrescenta que no mercado doméstico há um movimento de compras por tesourarias de banco e importadores quando a moeda chega ao nível de R$ 5,02. “Movimento que tem prevalecido desde o início da semana”, diz.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) mantêm-se em alta com os investidores reagindo ao forte aumento do IPCA em maio. Na avaliação de analistas e operadores, o avanço acelerado da inflação tem o potencial de forçar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) a mudar sua comunicação com o mercado já na ata da reunião da semana que vem.

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 5,215%, de 5,115% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,825%, de 6,705%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,85%, de 7,76% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,35%, de 8,29%, na mesma comparação.