Emergência hídrica impacta mais custos que fornecimento, diz Credit Suisse

Foto: Alain Schroeder/União Europeia

São Paulo – O Credit Suisse avalia que o alerta de emergência hídrica emitido pelo governo federal para cinco estados, que prevê chuvas abaixo da média entre junho e setembro, pode gerar mais impacto em custos do que em fornecimento de energia, considerando queda na participação das hidrelétricas na geração.

Com isso, os analistas apontam um cenário mais favorável para os papéis de empresas menos expostas ao risco hidrológico, como a Engie e transmissoras, enquanto os maiores impactos devem ser sentidos nas empresas mais expostas à hidrologia da Bacia do Paraná, como as geradoras AES Brasil e Cesp, na Sanepar, de saneamento. Já as distribuidoras devem sentir maior no capital de giro devido ao uso de térmicas e algum ruído regulatório com relação a aumento de preços.

Na visão da casa de análise, embora o nível dos reservatórios esteja bem abaixo do visto nas maiores crises hídricas de 2014 e 2001, em 70% da média de longo prazo, ante 72% e 73%, respectivamente, a capacidade total instalada cresceu em um ritmo mais rápido do que o consumo, com um avanço de 31% ante 4% de 2014 a 2021.

O relatório aponta que, nestes períodos, a participação da geração de energia vindo das hidrelétricas caiu de 67% em 2014 para 62% em 2021, puxado por uma maior participação da energia eólica (10% atualmente ante 4% em 2014) e outras renováveis, além de aumento de capacidade vindo de energia térmica, para 42,9 GW, de 37,8 GW em 2014, e que o sistema brasileiro esta muito mais conectado atualmente (150,503 km vs 110,620 km em 2014.

“Estamos usando atualmente 10 gigawatts (GW) das térmicas, numero bem abaixo dos 20 GW disponíveis e apesar da situação não ser favorável, nossa leitura esta na linha de que o sistema está preparado”, disseram.

ENTENDA

Na sexta-feira (21), Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) emitiu um alerta conjunto de emergência hídrica para a área da Bacia do Paraná, que abrange os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. O documento prevê chuvas abaixo da média entre junho e setembro na região. É a primeira vez que o órgão emite um alerta desta natureza.

Em 27 de maio, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), ligado ao Ministério de Minas e Energia (MME), decidiu implementar flexibilizações das restrições hidráulicas relativas às usinas hidrelétricas Jupiá, Porto Primavera, Ilha Solteira, Três Irmãos, Xingó, Furnas e Mascarenhas de Moraes para mitigar o risco da perda do controle hídrico na bacia do rio Paraná.

Na ocasião, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destacou as chuvas permanecem abaixo dos valores médios históricos, resultando nos piores montantes verificados para o SIN no período de setembro do ano passado a maio deste em 91 anos de registros.