Em sessão de pouca movimentação, Bolsa fecha em queda à espera de balanços e inflação nos EUA; dólar cai

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São Paulo- A Bolsa fechou em queda, conseguiu se manter nos 120 mil pontos em uma sessão sem muitas movimentações por conta da agenda esvaziada de indicadores aqui e nos Estados Unidos, que a partir de amanhã (13) ganha tração com a divulgação da inflação ao consumidor (CPI, sigla em inglês).

Os investidores ficam à espera de uma bateria de resultados após o fechamento dos negócios e as questões fiscais ficaram no radar. No ambiente doméstico fica a expectativa sobre a definição da meta fiscal para 2024 e, no externo, o rebaixamento da nota de crédito americana acendeu um alerta.

O principal índice da B3 caiu 0,13%, aos 120.410,17 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro perdeu 0,29%, aos 121.505 pontos. O giro financeiro foi de R$ 18,9 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam mistas

Ricardo Leite, head de renda variável da Diagrama Investimentos, disse que o “mercado sofre um pouco com o downgrade dos EUA pela Moodys e acaba refletindo aqui e nem o minério de ferro em alta após a China anunciar que vai manter os estímulos do setor imobiliário ajudou a impulsionar a Bolsa”.

Para André Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital, o Ibovespa cai devido às poucas movimentações no mercado interno e externo em dia de agenda vazia.

“Os investidores ficam à espera amanhã do CPI [índice de preços ao consumidor dos EUA, portanto devem esperar esse dado antes de tomar maiores decisões. Aqui, entramos na reta final da temporada de resultados do 3T23, com diversas empresas divulgando seus balanços após o fechamento, como Magazine Luiza, JBS e Localiza; o mercado fica na expectativa de uma possível alteração na meta fiscal de 2024 e, caso isso aconteça deve ser para até -0,50% de déficit do PIB, mas há alguns deputados pressionando para que esse déficit da meta seja maior e pode trazer estresse par ao mercado”.

Em relação aos destaques positivos, as ações de Lojas Renner (LREN3) lideraram as altas do índice de 3,00%.

“O mercado vem reprecificando ativos de empresas que são bem sensíveis a mudanças nas taxas de juros por conta de um IPCA melhor que o esperado divulgado na sexta-feira [subiu 0,24% contra projeção de 0,30%]. Com isso, as ações de varejo, principalmente, passaram a ser alvo de compra dos investidores, com uma perspectiva melhor em relação aos futuros resultados”, ressaltou o head de renda variável e sócio da A7 Capital.

Já Magazine Luiza (MGLU3) caiu 3,88%, antes de soltar os números relativos ao 3T23.

Os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR3) subiram 2,24% e 2,79%, respectivamente, influenciados pelo petróleo e após a decisão do STF favorável à empresa de uma ação trabalhista.

“Em caso de derrota, poderia provocar um rombo de mais de R$ 40 bilhões aos cofres da empresa em contrapartida a B3 caiu 4,08% após a ação ser rebaixada de compra para neutra BTG Pactual”.

Ubirajara Silva, gestor de renda variável independente, disse que os riscos fiscais aqui e lá fora e o recuo dos bancos impactam a Bolsa.

“Os bancos são grandes responsáveis pela queda do Ibovespa; o rebaixamento pela Moodys o rating americano reflete nas ações e nos títulos da dívida lá fora e contamina aqui. No Brasil o temor em relação à meta que será apresentada essa semana deixa os investidores cautelosos. Circulam notícias dizendo que a proposta será um déficit 0,75% a 1% do PIB, bem maior que o zero que o Haddad vem lutando para conseguir; Petrobras está performando bem, melhor que a commodity e a Vale com volatilidade; por aqui fica a expectativa com os balanços após o fechamento”.

O dólar comercial fechou em queda de 0,13%, cotado a R$ 4,9076. A moeda refletiu, ao longo da sessão, a espera pela inflação norte-americana, que será divulgada amanhã.

Para o analista da Potenza Investimentos Bruno Komura, “o mercado continua cauteloso e deve continuar assim até os dados de inflação nos Estados Unidos”.

Komura entende que reavaliação, pela agência de risco Moody’s da perspectiva nos Estados Unidos tem “impacto significativo no câmbio, e isso pode afetar o cenário de crédito, além de poder afetar o investimento”.

As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam quase no zero. A sessão foi marcada por cautela, já que a inflação norte-americana será divulgada amanhã.

O DI para janeiro de 2024 tinha taxa de 11,992% de 11,994% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 projetava taxa de 10,735% de 10,735%, o DI para janeiro de 2026 ia a 10,520%, de 10,505%, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 10,640% de 10,620% na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão perto da estabilidade, enquanto os traders se preparavam para a divulgação dos dados-chave de inflação de amanhã.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos após o fechamento:

Dow Jones: +0,16%, 34.337,87 pontos
Nasdaq 100: -0,22%, 13.767,7 pontos
S&P 500: -0,08%, 4.411,55 pontos

 

Com Paulo Holland e Darlan de Azevedo / Agência CMA