Deustche Bank e Bradesco estão entre os maiores credores da Americanas

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São Paulo – A Americanas entregou a lista com 7.967 credores de seu processo de recuperação judicial nesta quarta-feira, que ainda poderá ser alterada a medida que a empresa prepara para o processo. A dívida da varejista soma R$ 41,056 bilhões. O processo decorre do rombo contábil reportado pela empresa em 11 de janeiro, que levou à renúncia do ex-CEO Sergio Rial e do diretor financeiro André Covre. As listas de credores podem ser consultada no site de RI da empresa (https://ri.americanas.io), na aba “Recuperação Judicial/Credores.

Na lista, aparecem os bancos Deustche Bank (US$ 1 bilhão/R$ 5,2 bilhões), Bradesco (R$ 4,8 bilhões), Santander Brasil (R$ 3,6 bilhões), BTG Pactual (R$ 3,5 bilhões), Banco Votorantim (R$ 3,3 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 2,9 bilhões), Banco do Brasil (R$ 1,3 bilhão), Daycoval (R$ 509 milhões), Caixa Econômica Federal (R$ 501 milhões), Banco ABC Brasil (R$ 415,6 milhões), Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES; R$ 276 milhões) e Banco da Amazônia (R$ 103 milhões).

A lista inclui ainda fornecedores de serviços e produtos como Samsung, Google, Apple, Nestlé, Ambev; empresas de energia elétrica como CEB, Cemig, Celesc; empresas de telefonia Claro, TIM, Telefônica Brasil, entre outras.

REPERCUSSÃO

Após o trio de investidores de referência da Americanas, Jorge Paulo Lemann, Carlos Sicupira e Marcel Telles, divulgar uma nota em que afirmam que “nem as instituições financeiras nem a PwC jamais denunciaram qualquer irregularidade sobre as informações contábeis da Americanas, o Bradesco divulgou o seguinte posicionamento: A governança contábil das empresas é atribuição exclusiva e não transferível da sua administração, inclusive Conselho de Administração. O Bradesco cumpre rigorosamente as diretrizes normativas e atua de acordo com as melhores práticas de mercado. Não compactuamos com alegações que buscam criar narrativas para atribuir aos bancos qualquer responsabilidade sobre as práticas contábeis irregulares da empresa e, assim, desviar a atenção do problema central, ou seja, a falta de consistência dos números das demonstrações financeiras e as responsabilidades dos seus dirigentes sobre tal fato.

A Genial Investimentos disse que, considerando o patrimônio de cada banco e um imposto com alíquota de 45%, estima que os bancos em sua cobertura terão os seguintes impactos sobre o patrimônio: Bradesco (1,6%), Santander (2,4%), Itaú (0,9%) e Banco do Brasil (0,5%).

“Os bancos estão considerando registrar algumas dessas provisões já no 4T22, mas ainda nada decidido segundo nossas conversas”, comentou a Genial.

A corretora também destaca que o Santander entrou com pedido de anulação do processo de recuperação judicial da Americanas tentando evitar o grande caso de inadimplência da varejista, mas que recentemente o Safra fez a mesma solicitação e foi rejeitado por uma desembargadora.

“A relação entre a Americanas e os bancos estremeceu ainda mais após a publicação da carta do trio de acionistas de referência da companhia – Lemann, Telles e Sicupira -, visto que soou como tentativa de repassar a responsabilidade da atual situação financeira da varejista para a auditoria PwC e para os bancos”, comentaram os analistas Pedro Bresser e Eduardo Guimarães, da Levante Ideias de Investimento.