Decisão do Copom

    O que é

    O comunicado com a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) é o documento que o Banco Central (BC) divulga para dizer ao mercado qual será o nível da taxa básica de juros, a Selic, ao longo das oito semanas seguintes. Este número define, em termos simplificados, o menor preço para o dinheiro no Brasil, e a decisão afeta várias áreas da economia – mas em particular a inflação e a atividade econômica.

    Por que é importante

    Quando a taxa Selic está baixa, o dinheiro (crédito) fica mais barato, e consequentemente há menos barreiras para que ele circule na economia. Isso tende a aquecer a demanda e, em alguns casos, a estimular a alta de preços (inflação). O oposto também é verdadeiro: quando a Selic está alta, o crédito fica mais caro, há mais barreiras para a circulação do dinheiro, e a demanda que poderia ser gerada pelo crédito fica menor, desestimulando também, em alguns casos, a inflação.

    O mercado financeiro acompanha de perto a decisão sobre a Selic porque ela pode afetar as taxas de retorno de investimentos. Quando a Selic aumenta, cresce o retorno proporcionado por ativos de renda fixa – títulos de dívida, debêntures, e até mesmo da poupança. A Selic mais alta também pode ter um efeito negativo sobre o mercado de ações, porque inibe a tomada de crédito para o consumo e aumenta o custo de refinanciamento de dívidas – ambos fatores que podem prejudicar o resultado das empresas. Quando ela cai, os efeitos são inversos – retorno menor na renda fixa e maior na renda variável.

    Como funciona

    Para definir se Selic sobe ou desce, o Copom monitora os preços da economia. Isso porque o objetivo primordial do Banco Central é proteger o poder de compra do real, e os preços é que apontam se esse poder está aumentando ou diminuindo.

    Quando os preços da economia sobem de forma generalizada, dizemos que há inflação. Quando caem, dizemos que há deflação. Hoje em dia, por causa da forma como o sistema monetário funciona – multiplicando os depósitos feitos por pessoas e empresas nos bancos -, é corriqueiro e esperado que as economias apresentem inflação. O nível desta inflação, porém, precisa ser controlado, para evitar que o poder de compra da moeda diminua,

    Por este motivo, o nosso Banco Central precisa cumprir todo ano uma meta específica de inflação. Esta meta é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nos meses de junho e com três anos de antecedência – em 2020, por exemplo, foi definida a meta de 2023. O objetivo do Banco Central é modular a taxa de juros para atingir a meta ao final de cada ano.

    O comunicado do Copom traz a decisão do grupo a respeito da modulação da Selic – diz se ela subiu, caiu, e qual a magnitude deste movimento. Nos últimos anos, para fins de transparência, o texto foi ampliado para trazer também as explicações sobre a decisão e orientações ao mercado sobre o que pautará as decisões seguintes – algo que é conhecido como “forward guidance”, ou orientação futura.

    Como interpretar

    Em resumo, há três eixos nos comunicados do Copom:

    1. Quadro macroeconômico: a análise de como a produção, a demanda, o emprego e as condições financeiras estão se comportando no Brasil e no exterior (e os riscos que isso impõe ao cenário desenhado pelo Copom)
    2. Inflação e balanço de riscos: o comportamento dos preços, as projeções do Copom e do mercado para o comportamento futuro dos preços e os fatores que podem fazer a inflação ficar acima ou abaixo do esperado
    3. Revisão da política monetária: a decisão sobre a Selic e orientações ao mercado sobre a trajetória futura da taxa básica de juros

    Linguagem

    É importante também entender os termos que o Copom usa no comunicado e como traduzi-los. Aqui está uma relação breve de alguns jargões que aparecem no documento, acompanhados de uma explicação:

    • Horizonte relevante: em política monetária, refere-se a um período de aproximadamente um ano e meio à frente
    • Inflação subjacente: também chamada de núcleo da inflação, é o indicador que avalia o comportamento dos preços removendo os efeitos de choques temporários – por isso, em geral, são índices que excluem os preços de combustíveis e dos alimentos, que são mais sujeitos a oscilações bruscas.
    • Juros estrutural: o nível em que a taxa de juros garante tanto a inflação na meta quanto crescimento do PIB igual ao potencial no médio prazo. Também aparece como juros neutros. O BC considera que um juro real (Selic menos inflação) de 3% ao ano é equivalente ao juro neutro no Brasil.
    • Na margem: usado para se referir à variação de indicadores. É a comparação com o período imediatamente anterior. Exemplo: fevereiro com janeiro, segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre, etc.
    • Normalização: termo empregado para dizer que a taxa de juros voltará a níveis considerados “normais”, ou próximos do juro estrutural. Se a taxa estiver abaixo do nível estrutural, então quer dizer que ela vai subir. Se estiver acima, quer dizer que vai cair.
    • Prêmio de risco: o porcentual que o mercado financeiro agrega à taxa de juros por dúvidas a respeito do cenário econômico. Ele se manifesta mais claramente na chamada curva de juros (contratos de DI) – quando há mais risco, os juros projetados por estes contratos sobem. Quando há menos risco, as taxas caem.

    Endereços importantes

    • Onde é divulgado: nesta página.
    • Quando é divulgado: o comunicado é publicado oito vezes por ano, sempre às quartas-feiras e após as 18h30. O calendário está disponível aqui.