Cenário doméstico favorável e melhora externa devem gerar dólar menos forte em 2024

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Notas de dólar // Créditos: Pexels/ Karolina Grabowska

São Paulo – Se havia incertezas sobre o que esperar do comportamento do câmbio ao longo de 2023, elas logo começaram a se dissipar. A moeda norte-americana, que em janeiro operou acima dos R$ 5,10, chega ao final do ano na casa dos R$ 4,80, com projeções de um valor ainda menor em 2024. Mas como é possível explicar isso?

O sócio da Pronto! Invest Vanei Nagem entende que a eleição de Lula gerou algumas dúvidas no mercado, mas que o comportamento austero e conciliador da equipe econômica mudou o quadro: A moeda subiu bastante no começo do ano, mas ela caiu aos poucos à medida que o governo mostrou que não tomaria nenhuma atitude radical, avalia.

O cenário externo, paulatinamente, vai se desenhando mais favorável, com a perda da pressão inflacionária na Europa e Estados Unidos, além da China emitir alguns sinais de recuperação econômica, o que favorece moedas emergentes ligadas às commodities, como o real.

Existem sinais de que a inflação norte-americana começa a convergir para o lado que o Fed deseja, e abre a possibilidade para dois cortes dos juros no ano que vem. O discurso é moderado, com a esperança de que o pior já foi, opina Nagem.

O sócio da Pronto! acredita que os cortes na Selic não estão refletidos no câmbio, já que este afrouxo monetário demorou para começar: O medo de perder investimento faz com que o Banco Central monitore bem isso, porque dependemos da entrada de moeda para o dólar continuar em um patamar saudável e competitivo.

Já para 2024, Nagem é mais conservador ao projetar que a divisa estadunidense termine em R$ 4,80, mas observa que algumas casas acreditam que este valor pode chegar a R$ 4,50: A grande dúvida é de quanto vai ser o déficit fiscal, que vai ser importante na virada do semestre para dar qualidade do valor do dólar e sustentação ao investidor estrangeiro. O aumento do rating do Brasil começa a dar esperança de que a gente possa ter aumento de grau de investimento a médio prazo. Isso vai atrair ainda mais investidores, especialmente alguns fundos americanos que têm no estatuto este tipo de coisa, contextualiza.