Bolsa tem leve queda e dólar sobe com cena política incerta

São Paulo – O Ibovespa encerrou a sessão em queda de 0,08%, aos 122.592,47 pontos. Ao longo do dia o índice chegou a recuar com mais força, porém, os investidores seguiram cautelosos diante do final de semana e um cenário político interno ainda incerto com a continuidade da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia. Na semana, o índice apresentou valorização de 0,58%.

Hoje ainda é dia de vencimento de opções sobre ações no novo sistema da B3. A agenda de indicadores econômicos foi vazia, mas com acontecimentos importantes no exterior, como dirigentes do banco central dos Estados Unidos, mas nada disso foi suficiente para fazer o Ibovespa virar para o positivo, encerrando perto da estabilidade.

Em relatório para essa sexta-feira, o Bradesco destacou que “sem indicadores relevantes previstos para hoje, as atenções estarão voltadas para os discursos de dirigentes do Fed [Federal Reserve, banco central norte-americano] ao longo do dia”, explicou.

Na avaliação de Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, “o ambiente político tenso inibe um pouco, assim como o quadro fiscal grave e realizações de lucros em commodities”.

Em relatório matinal enviado pela Terra Investimentos, é destacada a continuidade da alta nos mercados norte-americanos, mas com a ressalva de que aqui no Brasil os investidores devem seguir atentos ao cenário político.

“Em sua live semanal, Bolsonaro criticou a CPI e voltou a incentivar o uso da cloroquina”, diz o relatório. Além disso, “foi enviada por Bolsonaro ao Congresso, MP para aumentar de 10% para 12,5% o limite de tolerância de peso permitido por eixo de caminhões acima de 50 toneladas, para veículos abaixo disso, a margem seria extinta, causando preocupação das operadoras privadas de rodovias, uma vez que poderá degradar mais e mais rápidos as vias”, prossegue o relatório.

O dólar comercial fechou em forte alta de 1,47% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3540 para venda – no maior valor de fechamento desde o dia 5 – em dia de forte volatilidade e amplitude da moeda seguindo o exterior, onde operou fortalecida no mundo em meio aos dados de atividade mais fortes do que o esperado nos Estados Unidos, na leitura preliminar de maio. Ao longo da tarde, declarações de dirigentes do Fed contribuíram para a forte valorização da divisa.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, reforça que a prévia dos números do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da atividade industrial e de serviços ratificaram o teor da ata da última reunião do Fed – divulgada na quarta-feira -, com “menção explícita” à necessidade da autoridade monetária reavaliar o programa de compra de bônus.

“Ante o processo de recrudescimento da inflação no país. Naturalmente, investidores concentrarão as atenções no payroll [relatório de empregos] de maio”, comenta. O resultado do mercado de trabalho norte-americano será divulgado em 4 de junho. A analista da Toro Investimentos, Paloma Brum, reforça que esses dados de emprego tendem a vir mais fracos nos próximos meses.

Com destaque para a ata do banco central norte-americano, a moeda encerrou a semana com valorização de 1,56%, na segunda alta semanal. A equipe econômica do Bradesco avalia que a política monetária nos Estados Unidos continua acomodatícia, mas discussões sobre a retirada de estímulos tendem a ficar mais intensas nos próximos meses, com a recuperação da economia e a aceleração da inflação.

“A ata explicitou a avaliação majoritária dos membros de que o aumento da inflação é transitório e que a recuperação da economia e do emprego continuam em progresso, mas ainda distante dos objetivos, mas essa visão tem ficado menos consensual”, destacam os analistas do banco.

Na próxima semana, a última cheia do mês, os destaques na agenda de indicadores são os dados de inflação aqui e nos Estados Unidos, além de discursos de membros do Federal Reserve. “Nos próximos dias, tudo relacionado ao Fed ficará no radar, enquanto o índice de preços ao consumidor e os dados sobre consumo e renda norte-americanos são bem importantes”, reforça a analista da Toro.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em queda com os investidores aproveitando a agenda fraca desta sexta-feira para ajustar suas posições ao término de uma semana de intensa volatilidade diante de estimativas de desaceleração da inflação.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 fechou com taxa de 5,005%, de 5,010% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,75%, de 6,78%; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,18%, de 8,26% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,76%, de 8,84%, na mesma comparação.

Os principais índices do mercado de ações norte-americano terminaram o dia sem uma direção comum, com o setor de tecnologia mais uma vez sob pressão em meio a uma derrocada do preço do bitcoin.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos fechamento:

Dow Jones: +0,36%, 34.207,84 pontos

Nasdaq Composto: -0,48%, 13.471,00npontos

S&P 500: -0,07%, 4.155,86 pontos