Bolsa sobe e dólar cai com cautela por indicadores e reforma tributária

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São Paulo – O Ibovespa abriu em alta, depois passou a operar com volatilidade e manteve instável durante todo o pregão e com baixa liquidez. Os investidores repercutiram as alterações propostas na reforma tributária, que foi entregue pelo governo ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), na sexta-feira. As ações dos bancos tiveram perda.

O principal índice da B3 fechou em alta de 0,13%, aos 127.429,17 pontos. O índice futuro com vencimento em agosto ficou no zero a zero, aos 128.090 pontos. O volume financeiro foi de R$ 28,3 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam em sentido misto.

As ações da Vale (VALE3) caíram 1,60%; Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3) perderam 0,87% e 1,42%, respectivamente. Os papéis dos bancos do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) baixaram 0,75% e 0,49%, nessa ordem e do Itaú (ITUB 4) desvalorizaram mais de 1,13%.

O analista José Costa Gonçalves, da Codepe Corretora, afirma que os investidores estão cautelosos em relação à reforma tributária. “O volume baixo na sessão de hoje prova que ninguém quer assumir posição”, enfatiza.

O analista sênior Luiz Henrique Wickert, da sim;paul plataforma de investimentos, comenta que o mercado segue o pessimismo de sexta-feira, com a “ressaca” em relação à reforma tributária. “O mercado viu a proposta do governo como onerosa para as empresas. Os bancos estão sentindo bastante e as commodities estão pesando bastante”.

Na visão de José Claudio de Oliveira, operador de renda variável da Commor, o mercado está cauteloso em relação ao suposto esquema de corrupção envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin. “O mercado tem trabalhado mais com essa versão ao risco na sessão de hoje”. Na quarta-feira, o empresário Carlos Wisard deve ser ouvido pelos senadores.

O estrategista Filipe Villegas, da Genial Investimentos acredita que “a reforma tributária ainda terá um longo caminho de negociação no Congresso e junto à sociedade.

Para Villegas, a reforma é mais favorável aos investidores especulativos. “Por conta da tributação de dividendos, o mercado pode passar a dar uma visão melhor para as empresas que fazem retenção de lucros para investir na própria operação, do que as empresas que distribuem dividendos. O setor de tecnologias pode ter mais vantagens que os mais consolidados”.

Após passar a maior parte da sessão operando com viés de alta, o dólar comercial virou na hora final das negociações e acabou fechando com ligeira queda de 0,16%, sendo negociado a R$ 4,9280 para venda. Investidores seguem atentos e cautelosos com indicadores importantes nessa semana, com a continuidade da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia e a entrega, na sexta-feira, da proposta para a reforma tributária.

“O investidor está demonstrando grande receio com a reforma tributária. Além disso, o cenário político ainda é incerto, com possibilidade de chegar novas denúncias ao presidente da República [Jair Bolsonaro]”, avaliou um operador de câmbio de uma grande corretora.

“No Brasil, proposta da Reforma Tributária foi entregue na sexta-feira, porém é esperado alguns debates, não devendo sair da mesma maneira que chegou; com alguns pontos diferentes do esperado como a isenção de R$ 20 mil por mês de dividendos recebidos, que valeria apenas para pequenas e microempresas, já os dividendos das empresas da Bolsa passam a ser tributados a todos os investidores”, afirmou, em relatório, o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila.

“Além disso, na CPI da Covid, poderá ser investigado também a compra das vacinas Sputnik V e Convidecia para averiguar se também houve provável esquema de corrupção devido à urgência para compra e aprovação da Sputnik V, principalmente por Ricardo Barros, altamente citado durante a CPI e já alvo de investigações desde 2019 com compra de medicamentos para doenças raras”, acrescentou Chinchila.

De acordo com Jefferson Rugik, da Correparti, os destaques no Brasil para essa semana são Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e a Produção Industrial de maio. Nos Estados Unidos tem a variação dos postos de trabalho no mês de junho, o chamado payroll.

“No mercado internacional de câmbio o dólar ganha levemente de seus pares e trabalha de forma mista frente as divisas emergentes e ligadas às commodities. Internamente o dólar comercial tem leve viés de alta, entretanto, a semana promete fortes emoções com os participantes deste mercado de olho no fluxo, em Guedes [ministro da Economia, Paulo], e nas investigações da CPI da Covid, após o caso Covaxin ter tomado escala, com as denúncias dos irmãos Miranda contra o líder do Planalto, Ricardo Barros”, explicou Rugik, em relatório matinal.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em queda em meio a um fluxo vendedor pontual ocorrido durante um pregão no qual os investidores buscaram ajustar suas posições para a carregada agenda da semana tanto em relação a indicadores econômicos quanto a eventos políticos.

Com isso, o DI para janeiro de 2022 encerrou a sessão com taxa de 5,635%, de 5,655% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,010%, de 7,135%; o DI para janeiro de 2025 ia a 7,98%, de 8,16% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,44%, de 8,58%, na mesma comparação.

O S&P 500 e o Nasdaq iniciaram a semana em alta, renovando recordes no fechamento, apoiados no avanço de gigantes de tecnologia e também na vitória judicial do Facebook. Na contramão, o Dow Jones recuou 150 pontos, pressionado por empresas dos setores de energia e transportes.

Confira a variação e a pontuação dos índices de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: -0,44%, 34.283,27 pontos

Nasdaq Composto: +0,98%, 14.500,50 pontos

S&P 500: +0,23%, 4.290,61 pontos