Bolsa renova máximas e vai aos 130 mil pontos com ata do Copom e China

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São Paulo – A Bolsa fechou o pregão em alta de 2%, após a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sem surpresas. O documento indicou que a condução da política monetária seguirá contracionista, com a expectativa de cortes de 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões, ritmo avaliado como apropriado e necessário para o processo desinflacionário. Para o comitê, o cenário doméstico vem se encaminhando em linha com o que era esperado. O mercado também reagiu positivamente às falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que sinalizaram otimismo com o crescimento da economia e compromisso com a meta de déficit zero para 2024.

Com a manutenção da perspectiva de corte de juros no Brasil e até de uma Selic a 8,5% e inflação abaixo de 4%, o mercado ganhou confiança para buscar a correção técnica do Ibovespa.

O mercado também reagiu positivamente às medidas anunciadas pelo órgão regulador de valores mobiliários da China na terça-feira, de que apoiará o mercado de ações, incentivando a compra de ETFs e a recompra de ativos de estatais, além de mais medidas do governo chinês para impulsionar consumo interno e estimular a economia, o que favorece as companhias brasileiras que negociam com o país asiático, como a Vale.

O principal índice da B3 fechou em alta de 2,21%, aos 130.416,31 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em fevereiro avançou 2,57%, aos 131.100 pontos. O giro financeiro foi de R$ 21,8 bilhões. Em Nova York, as bolsas encerraram positivas.

As maiores altas foram vistas em papéis de peso do Ibovespa, como Vale (VALE3) subiu 1,77% Petrobras (PETR3;PETR4) subiram 1,51% e 0,92%, com a renovação do otimismo em relação à China. Natura e Bradesco ficaram entre as maiores altas do Ibovespa. Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC3;BBDC4) subiram 2,15%, 4,38% e 6,20%, após anunciarem uma oferta para fechar o capital da controlada Cielo (CIEL3:+3,97%); e Natura (NTCO3) disparou 6,78% com o anúncio de que avalia separar os negócios da Natura Latam e Avon em duas companhias de beleza independentes e de capital aberto. Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 4,28%, após forte resultado do quarto trimestre e dividendos

Apenas cinco ativos recuaram: Embraer (EMBR3:-3,83%); Localiza (RENT3:-1,95%); Hapvida (HAPV3:-0,77%); Rumo (RAIL3:-0,66%); e WEG (WEGE3:-0,06%).

Fabio Louzada, planejador financeiro e fundador da Eu me banco, avaliou que, na ata do Copom, o BC manteve a sinalização de novos cortes de meio ponto percentual na taxa Selic nas próximas reuniões não trazendo surpresas em relação ao comunicado divulgado semana passada. “No texto, deixou claro mais uma vez a preocupação com pressões inflacionárias globais e com a inflação de serviços no Brasil, que mostra resiliência, segundo o comitê. Não houve nenhuma novidade que fosse contra o que o mercado já está projetando para os próximos meses, na minha visão.”

O Ibovespa subiu influenciado pelos bancos, com destaque para o Bradesco, que subiu na véspera da divulgação de resultados nesta quarta (7). “Os investidores têm colocado otimismo no papel após a companhia anunciar também mudanças na administração que vão além de Marcelo Noronha no cargo de CEO como a mudança na diretoria e vice-presidência. A ação sobe também depois de oferecer, junto ao Banco do Brasil, R$ 5,35 por ação da Cielo para tirar a empresa da bolsa e comprar, junto ao BB, o total de papeis em circulação. As ações da Cielo também sobem com o mercado vendo como positiva a OPA”, explicou Louzada.

Entre as quedas, o analista cita Embraer, após o HSBC reduzir a recomendação de “compra” para “neutro”, e Localiza, após um relatório do JPMorgan afirmar que os analistas não têm boas expectativas para os resultados do quartro tri que serão apresentados pela companhia. O banco também cortou o preço-alvo de R$ 82 para R$ 81.

Mais cedo, Diego Faust, operador de renda variável da Manchester Investimentos, comentou que o movimento positivo de hoje refletia uma correção técnica dos mercados após a queda em janeiro, influenciada pela divulgação da ata do Copom e considerando as chances de uma Selic ainda menor. “Hoje houve uma confirmação da última leitura da ata do Copom, que “reacertou” a questão de cautela com o cenário internacional, sinalizando que será necessário esperar a queda da taxa de juros nos Estados Unidos, e garantiu mais meio ponto de queda na reunião de maio”, comentou.

“O mercado está precificando a continuidade da queda da Selic. Já tínhamos a previsão de queda em mais duas reuniões até março e garantiu mais meio ponto. Parte dos analistas já veem uma possível Selic a 8,5%, principalmente se considerar que a taxa real do Brasil está sendo projetada para 5%, o que seria uma taxa de normalidade, e a inflação fechar abaixo dos 4%, como tem alguns analistas apontando para isso, teríamos espaço para a Selic cair um pouco mais”, finalizou.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o mercado estava apreensivo em relação ao tom da ata da Copom e seguia cauteloso diante da possibilidade de alguma sinalização negativa. “Como a ata veio sem surpresas, trouxe alívio em relação a perspectivas pessimistas. O documento sinalizou que tudo está convergindo para o atingimento da meta de inflação e trouxe uma mensagem tranquila, o que influencia o movimento mais comprador do pregão de hoje, que beneficia as companhias cíclicas e que são afetadas por juros”, explicou.

“Além disso, hoje também tivemos falas do presidente do BC, Roberto Campos Neto, que deixou em aberto a possibilidade para as próximas reuniões, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que não trouxe sinalização de riscos fiscais”, acrescentou.

Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, avalia que a alta do Ibovespa é reflexo da alta de Bradesco com a espera pelo balanço do 4T23 que sai amanhã e o anúncio de oferta para fechar capital da controlada Cielo, mas principalmente pelas altas de Vale e Petrobras, que têm forte peso no índice.”Esses papéis ligados a commodities reagiram diante às sinalizações de estímulos chineses, em meio a esforços mais enérgicos do país contra a crise.”

Em relação à atividade econômica, Gonçalvez enfatiza as falas do ministro Fernando Haddad que comentou, durante a CEO Conference, que “quase arriscaria dizer que o quarto trimestre do ano passado virá melhor do que as expectativas”. “O ministro ressaltou que o fisco é importante para o país com as características do Brasil. A gente tem que saber lidar com o dinheiro que a gente tem e fazer ele render mais do que ele renderia em outro lugar. É assim que a gente vai se desenvolver. É trabalhando mais. É aplicando melhor. É buscando resultado, concluiu o analista.

O dólar comercial fechou em queda de 0,38%, cotado a R$ 4,9621. A moeda refletiu os estímulos econômicos prometidos pelo governo chines, o que valorizou as commodities e as moedas ligadas a elas, como o real.

Para o analista da Potenza Investimentos Bruno Komura, o estímulo chinês à economia impacta tanto as commodities quanto as commodities: “No curto prazo, podemos ver o dólar se enfraquecendo ainda mais, mesmo a reprecificação do início do corte dos juros nos Estados Unidos”, observa.

As taxas fecham em queda, incólumes a falas do Fed. Por volta das 16h30 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 9,945% de 9,970% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2026 projetava taxa de 9,670% de 9,710%, o DI para janeiro de 2027 ia a 9,898%, de 9,870%, e o DI para janeiro de 2028 com taxa de 10,085% de 10,125% na mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar comercial operava em queda, cotado a R$ 4,9624 para a venda.

Os principais índices de ações do mercado dos Estados Unidos fecharam o pregão desta terça-feira em alta, com os investidores analisando os últimos balanços divulgados – e na expectativa pelo da Ford, que é publicado depois do fechamento – e as falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), reforçando que ainda é cedo para se pensar em cortes nos juros.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos índices futuros de ações dos Estados Unidos no fechamento:

Dow Jones: +0,37%, 38.521,36 pontos
Nasdaq 100: +0,07%, 15.609 pontos
S&P 500: +0,23%, 4.954,23 pontos

Com Paulo Holland, Camila Brunelli e Vanessa Zampronho / Agência CMA

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